Paixão cereja
Gostar como deseja,
nem sempre acontece.
Desejar como se gosta,
sentimento que estremece.
Mergulhar no impossível,
paixão que emudece.
Mensagem que vai,
que bate e rebate.
Carregada de sonho,
um sentir calafate.
Ao longo da vida,
um gostar alfaiate.
Em tão bela paisagem,
moldura do desconhecido.
Imaginação que recria,
coração aquecido.
Explodir da vontade,
dum amar reprimido.
Pensamento tão forte,
como as vagas do mar.
Lânguido é o prazer,
na areia o alvejar.
Silhueta tão doura,
impossível parar.
Olhar tão champanhe,
que borbulha ao fitar.
Sorriso tão belo,
que não deixa enganar.
Presença tão forte
que me faz entregar.
O sei que não sei
d’alma que almeja.
Desconhecido e calado
coração que deseja.
Querer tão buscado,
marraschino da certeza.
Você, uma paixão tão cereja!
Tão simples rimas carregam
a grandeza do inesperado.
Traduzem a força de uma beleza,
tão distante e tão próxima.
De alguém que, como você,
Célia,
é o fiel retrato da terra natal.
Simplesmente maravilhosa!
26/10/03