PARA QUE A VIDA NÃO SEJA UM ETERNO CARNAVAL

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A bola e a bunda estão em jogo

Acabou! Até que enfim terminou o mais movimentado e conturbado campeonato de futebol do planeta. Mesmo sendo uma das mais procuradas diversões populares, o futebol brasileiro foi novamente vítima de uma minoria que, como sempre, não apenas esquece da maioria fanática pela bola, mas age criminosamente em benefício próprio. Não fossem as estripulias arbitrais de Edílson Pereira de Carvalho, o juiz que vendeu resultados para uma quadrilha de viciados em apostas, tudo poderia ter acabado de maneira mais lógica e decente, podendo, inclusive, o resultado final ser outro, que não esse que todos esperam e dão como certo.

Isso não significa que o quarto campeonato brasileiro conquistado pelo Corinthians – ainda é suposição – tenha perdido sua valia, mas já está no ar aquela coisa da hipótese, que sempre trará à luz das discussões o famoso “se”. Vai ser um tal de “se isso” e “se aquilo”, que melhor seria começar tudo de novo ou esquecer que o ano de 2005 um dia existiu na história do futebol nacional.

O campeonato acabou sob a ótica esportiva, mas sob os olhares da Justiça as coisas ainda devem flamejar, e muito. Um jogo de liminares, para lá e para cá, tem feito do futebol algo muito parecido com uma partida de “ping-pong”, esporte que os mais jovens chamam elegantemente de tênis de mesa. São tantos “pings” e “pongs” judiciais, que o torcedor mais informado ainda não sabe o que comemorar. O Corinthians, por decisão judicial, pode até perder o que conquistou, mas o torcedor certamente irá tê-lo como vencedor da maior e mais importante competição futebolística do mundo.

Apelar para a Justiça é um direito de qualquer cidadão que se entenda como prejudicado em determinada situação, mas quem acompanha o futebol sabe que o último anjo que freqüentou o esporte para cá trazido por Charles Müller desapareceu desde aquela época. De mais a mais, é uma bobagem sem tamanho aceitar que a decisão de um certame esportivo advenha dos tribunais brasileiros, como se a Justiça nada tivesse com que se preocupar.

Ver a bola rolando e balançando a rede adversária já faz parte da cultura do brasileiro, o que fez do futebol uma obrigação dominical tão importante quanto a missa na igreja da esquina e o sacro macarrão na casa da “mamma”. Mas se uma das paixões do brasileiro está correndo risco com as inesperadas decisões da Justiça, uma outra obsessão tupiniquim, a bunda, ainda está a salvo. Quem, dos nascidos nessa nossa inexplicável e indecifrável Terra Brasilis, nunca encostou a barriga num boteco e acabou sendo enredado por uma conversa qualquer que foi da bunda à bola, e vice-versa, com a maior facilidade? Futebol e bunda são preferências nacionais, e não há quem possa tirar esses dois prazeres do brasileiro. Nem mesmo a Justiça.

Imagine um campeonato de bunda sendo decido no Superior Tribunal de Justiça. E uma CPI da Bunda?

Pela ordem, senhor presidente?
Vossa Excelência tem a palavra para falar da bunda da situação.
Não senhor presidente, não é a bunda da situação, mas sim a situação bunda da oposição.

Agora, com a possibilidade de o campeonato brasileiro ser decido por algum dublê de Zorro, em Brasília, é de se imaginar que, um dia qualquer, alguém ainda há de proibir a bunda como alvo de discussões, por que a partir de agora gritar “é campeão” tem que antes passar pelos tribunais. O Brasil certamente sofreu com o malfadado “mensalão”, mas sem bunda e futebol esse país vai para o espaço. É verdade que o futebol tem “seus bundas de plantão”, mas não são esses “derriéres” que fazem a loucura da psique da turma que vive sob a misteriosa e imaginária linha do Equador.

Bunda pra lá, bola pra cá, o fato é que o corintiano acabou comemorando o quarto título brasileiro do Timão – não é o tetracampeonato – não sem antes ter de enfrentar a situação bunda de ver o time do coração ser derrotado pelo Goiás. Já que estamos falando de preferências nacionais, outra invencionice acabou criando desconforto e bate-boca durante a semana. Um possível incentivo financeiro gaúcho ao Goiás chegou a ser cogitado, mas nada de concreto foi provado, mesmo que alguns integrantes da equipe goiana tenham deixado o assunto no ar. Ou seja, a mala-preta, outra mania nacional que ganhou fama extra nos últimos tempos, acabou sendo a polêmica no mundo verde-amarelo da bola.

O fato é que a confusão que aí está serviu, muito antes do que supõe a vã filosofia, para saciar a loucura de alguns poucos espertalhões, os quais, auxiliados pela megalomania do douto (sic) ministro Luiz Sveiter, presidente do STJD, acabaram criando um imbróglio quase sem solução, e que, se decidido por força de lei ou por um outro salamaleque jurídico, certamente irá causar tanta ou mais discórdia do que a bunda da vizinha.

Mas como há um ditado que diz que desgraça e bunda têm que ser grandes para dar o que falar, o brasileiro não tem razões para reclamar. Até porque, bunda no futebol é o que não falta. No contraponto, considerando que certa é a tese popular de que dos fundilhos de uma criança e da cabeça de um juiz nunca se sabe o que vem, caberá à Justiça dar o apito final de um campeonato que já acabou, decidindo quem deve ser anunciado como o campeão brasileiro de 2005.

Porém, diferentemente de uma discussão sobre essa ou aquela bunda, às decisões judiciais sempre cabem recursos, o que pode fazer com que o anúncio do campeão de 2005 aconteça em 2006, ou até mesmo não aconteça. Já pensou alguém bradando “à essa bunda cabe recurso”? O fato é que o futebol é a mais nova vítima da pasmaceira judicial que impera no país desde que alguém estreou na condição de injustiçado – não pela bunda que vai à frente, é claro –, cujas decisões muitas vezes deixam as pessoas com cara dessa tão falada e aqui citada mania nacional.

E viva a bunda, porque o futebol já era!

Novo espaço, novo desafio

Comentar o cotidiano sempre foi um sonho, uma meta possível e não tão distante. O grande problema, como sempre, era o tempo e sua ausência. Mesmo que tardia, chegou a hora de cuidar desse carnaval em que se transformou o nosso dia-a-dia.

Muitos me perguntam se estou abandonando o jornalismo político. Não, isto não está nos meus planos. Pelo menos por enquanto. Esta é uma tarefa exclusiva do Criador.

Uma nova página significa mais trabalho, mas opinar é algo que se confunde com o ar que respiro. Existir é escrever e vice-versa. É permitir a renovação da alma, do pensamento e da lógica. É acreditar num amanhã diferente.

Lançar este novo espaço só foi possível a partir da tranqüilidade que os parceiros, conquistados nos últimos tempos, têm me proporcionado.

"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."

Ucho Haddad

[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.

Mahatma Gandhi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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