O céu é o limite (sexta - 05/09/08 - 12h16)

A cadência do traço corta a natureza.
Música do dia (sexta - 05/09/08 - 12h13)
Não é de hoje – e sobre isso já escrevi neste espaço – que o meu sonho (ele surgiu na adolescência) é reunir em um programa de rádio grandes nomes da MPB. Fazer duos inesquecíveis. Mas o sonho, que ainda está na cabeça, não chegou à realidade. Faltou de tudo um pouco. Ousadia, tempo e patrocinadores.
Como a minha vida se resume a escrever sobre política, comentar o cotidiano e fazer poesias – numa tentativa de traduzir amores e explicar paixões impossíveis – hoje, com absoluta falta de tempo, me delicio ao buscar na rede mundial de computadores esse sonho não realizado.
Nessas buscas cibernéticas encontrei um duo simplesmente maravilhoso, que com certeza ficará na história da música nacional. Cássia Eller e Luiz Melodia cantando Juventude Transviada.

Como Cássia Eller e Luiz Melodia dispensam qualquer tipo de apresentação, até porque a trajetória talentosa de cada um fala por si só, o melhor é se entregar à magia desse encontro.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Juventude Transviada, com Cássia Eller e Luiz Melodia.
Fazendo figa (sexta - 05/09/08 - 12h08)
A semana que ora termina foi marcada pela primeira rodada de discussões, no Supremo Tribunal Federal, sobre a anencefalia e o direito de interrupção da gravidez em casos como esse.
Como sempre me posicionei favoravelmente a esse direito, até porque um anencéfalo não vive, mas vegeta, espero que a decisão da Justiça também siga o mesmo caminho. O que deve acontecer, se considerados os pronunciamentos de alguns ministros do STF sobre o tema.
Só mesmo quem já acompanhou casos de anencefalia pode defender o direito à interrupção da gestação de um feto com tal anomalia.
Empunhar bandeiras religiosas para impedir esse direito é caminhar na direção do absurdo e contrariar a lógica da vida.
Só desculpas (sexta - 05/09/08 - 12h05)
Equívocos cometidos pela polícia e pela Justiça ocorrem com muito mais freqüência do que imaginamos. Aqui no Brasil, o mais recente caso – absurdo, por sinal – é o dos três jovens de Guarulhos, em São Paulo, que passaram dois anos na prisão por um crime que não cometeram. A injustiça só foi reparada porque a polícia prendeu um serial killer que foi apelidado de “Maníaco de Guarulhos”.
Após conversas pouco diplomáticas com policiais, o maníaco confessou ser o autor do crime que era imputado aos três jovens. Mas esse tipo de erro não é privilégio de nossa querida e amada Botocúndia.
Em Londres, um britânico assistia a um programa de TV quando descobriu que o pai estava vivo, depois de uma cerimônia fúnebre, com direito a cremação, ocorrida cinco anos antes.
Vítima de amnésia, o britânico John Delaney desapareceu em 2000. Recolhido a um abrigo, Delaney não conseguiu fornecer às autoridades detalhes de sua vida. E acabou recebendo um novo nome. David Harrison.
Em 2003, um corpo com algumas características semelhantes às de Delaney foi encontrado. Mesmo diante do avançado estado de decomposição, técnicos puderam afirmar (sic) que aquele era o corpo de John Delaney.
Cinco anos depois, o filho de Delaney, John Renehan, viu uma reportagem em que pediam para que alguém identificasse um idoso desaparecido há anos. Era seu pai. Um teste de DNA confirmou a identidade de Delaney.
E a polícia inglesa, sisuda e formal como sempre, pediu desculpas.
Coisa de doido (sexta - 05/09/08 - 12h03)
Nos últimos dias, a cidade de São Paulo foi invadida por centenas de carros vindos do interior do Estado. Nada contra o constitucional direito de ir e vir de cada um, mas o motivo dessa movimentação é que beira a insanidade.
Há dias, centenas, milhares de pessoas enfrentam sol, calor e poluição na Paulicéia Desvairada para conseguir um ingresso para o show da cantora Madonna, que se apresenta no Brasil em dezembro.
A desorganização na venda dos ingressos é tamanha, que até o já complicado trânsito da cidade sofreu conseqüências. Na região sul da cidade, mais precisamente nas imediações do ginásio do Ibirapuera, usar o automóvel exigiu redobrada dose de paciência dos motoristas nesta quinta-feira.
E como sempre, os melhores ingressos acabaram nas mãos dos cambistas, que hoje vendem por R$ 1,5 mil um ingresso para o show da pop star.
Confesso que nem mesmo com direito a um milionário prêmio em dinheiro deixaria o conforto da minha casa para assistir um show de Madonna, a cinqüentona que continua acreditando no que um dia lhe disseram de maneira irresponsável. Que ela canta.
Salvo pela escuridão (sexta - 05/09/08 - 12h01)
Há erros na vida do ser humano que podem se transformar em grandes acertos, mas a insistência em corrigi-los mostra a vocação do homem para o erro. No sul da Índia, a interrupção no fornecimento de energia elétrica resultou na troca de esposas durante cerimônia religiosa de casamento.
O erro só foi detectado quando o fornecimento de energia foi restabelecido, o que obrigou os religiosos a uma reza corretora.
Sanado o problema, os dois casais esperam ser felizes para sempre. Nos dias de hoje, todo casamento, por maior que seja a convicção amorosa dos cônjuges, começa com a possibilidade da separação. Ora, se de cara esses indianos já começaram errando, era porque a troca poderia dar certo.
Teimosos, resolveram reparar o erro. Resumo da ópera: até cego o amor é lindo.
Em tempo: não é difícil imaginar quantos gostariam que acabasse a luz.
Burrice criminosa (sexta - 05/09/08 - 11h59)
Diz a lenda que a ocasião faz o ladrão. E como a necessidade sempre supera os limites do ser humano, determinadas situações são quase explicáveis.
É verdade que em determinados momentos um centavo representa uma verdadeira fortuna, mas participar de um assalto para arrecadar R$ 40 é coisa de ladrão incompetente. Ou será que é desespero?
Há anos, um velho amigo, criminalista dos bons, disse que o crime compensava. Claro, o crime sempre compensa para o advogado e para a polícia.
Mas aqui fica a pergunta que não quer calar. Com que dinheiro esse trio que assaltou uma videolocadora no interior de São Paulo irá custear um advogado?
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