Baianas virando (quarta - 03/09/08 - 12h00)

O carnaval através das lentes de Catherine Krulik.
Música do dia (quarta - 03/09/08 - 11h56)
Considerado como um dos nomes mais importantes da música negra norte-americana, Isaac Hayes morreu, aos 65 anos, em 10 de agosto deste ano.

Hayes, que na década de 70 dividiu o estrelato com nomes importantes da música com Barry White, Curtis Mayfield e Marvin Gaye, conquistou a fama ao compor o tema musical do filme e seriado Shaft.
Dono de voz marcante, Isaac Hayes foi o pioneiro numa forma mais rebuscada da soul music. O “Soul Sinfônico”, já que sempre se fez acompanhar de grandes orquestras na execução de músicas que muitas vezes ultrapassavam a barreira dos dez minutos de duração.
Em Shaft, a música-tema, Isaac Hayes exibe um enorme talento para composições que são verdadeiras sinfonias da alma.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Shaft, com Isaac Hayes.
Nem Freud explica (quarta - 03/09/08 - 11h40)
Quatro dias acampado em uma fila, enfrentando calor, frio, tempo seco e poluição. Eis o calvário dos que sonham em ver um show da cantora Madonna, que se apresenta no Brasil em dezembro.
Aos 50 anos, mas com energia e silhueta de quem ainda não chegou aos 30, Madonna promete arrastar verdadeiras multidões em sua turnê mundial. Tudo muito bem. Madonna faz da própria vida o que bem entender, mas creditar a ela o rótulo de cantora é devaneio.

Há uma enorme e profunda – diria até que é abissal – diferença entre cantar e o que Madonna faz. Ela pode pensar que canta, mas isso não é verdade. Como a truculência do capitalismo só pode ser combatida com atitudes desconexas de protesto, Madonna é um excelente exemplo de comportamento non sense.
Desde o início de sua carreira, Madonna tem se notabilizado por anomalias comportamentais. Ela pode ser tudo, menos cantora. O que não impede que um séqüito de fãs a acompanhe pelo mundo afora.
Até porque, as gravadoras agradecem.
Erros irreparáveis (quarta - 03/09/08 - 11h37)
Entre a sociedade e a Justiça há um perigoso nicho de cobrança. De um lado está uma sociedade cada vez mais vilipendiada pelo Estado em seus direito, de outro há a uma inovadora e temerária celeridade da Justiça.
No caso do maníaco de Guarulhos, preso recentemente sob a acusação de abusar e matar mulheres na cidade homônima, três jovens vinham pagando por um crime que não cometeram. Inocentes confessos desde o primeiro instante, os três rapazes foram acusados de assassinar uma jovem em 2006. Para assumir a culpa pelo crime, cada um deles passou por sessões de torturas.
Para que não se recorda, o crime do Bar Bodega, no bairro de Moema, em São Paulo, ocorrido há anos, teve o mesmo desfecho. Por cobrança da sociedade, cada vez mais indignada com a escalada do crime, a polícia paulista exibiu, como se troféus fossem, jovens inocentes que foram torturados. Meses mais tarde, os verdadeiros culpados foram presos.
Essa necessidade burra de se dar à sociedade uma resposta imediata provocará sérios prejuízos ao governo paulista. Dois anos indevidamente atrás das grades e sessões de tortura valem uma fortuna. José Serra que se prepare.
Polêmica de sobra (quarta - 03/09/08 - 11h34)
Amanhã, quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal encerra a jornada de discussões sobre a gestação de anecéfalos e o direito da mãe de interromper a gravidez. Sobre esse assunto há correntes divergentes de opinião, mas desde já marco posição favorável ao aborto em casos de anencefalia. Só mesmo quem conhece o assunto sabe a extensão das conseqüências que uma situação como essa proporciona.
Considerando que o anencéfalo tem um exíguo tempo de vida, a maior prejudicada é a gestante. Durante a gravidez inúmeras complicações ocorrem por conta da má formação da caixa craniana do feto.
Há pouco mais de dois meses, acompanhei, de forma indireta, um caso de gestação de anencéfalo. Por decisão judicial – burra, diga-se de passagem – a gravidez não pode ser interrompida. A gestante correu sérios riscos de morte, pois partes do cérebro do feto foram parar na sua corrente sanguínea. E uma grave complicação renal foi o resultado mais imediato da insanidade da Justiça.
No começo desta semana recebi um e-mail condenando a minha posição favorável ao aborto em casos de anencefalia. Quem usa a religiosidade para defender a continuidade da vida onde ela inexiste é porque sequer sabe o que é fé.
Usar a tragédia alheia como cangalha de um falso moralismo é no mínimo insanidade existencial.
Caso de polícia (quarta - 03/09/08 - 11h31)
A obsessão do homem por dinheiro ultrapassa as raias da razão. Dinheiro serve para pagar as contas e proporcionar algumas regalias, mas o supérfluo jamais pode se tornar essencial. Quando isso acontece, o homem é capaz de tudo para manter o status quo ou, então, a ele permitir um nababesco up grade.
Nesta semana a polícia prendeu no interior de São Paulo alguns médicos que receitavam aos pacientes remédios caros e desnecessários. Tudo porque havia um conluio criminoso para favorecer laboratórios farmacêuticos. Que, por conseqüência, repassava aos médicos polpudas comissões.
Mas esse tipo de comportamento não ocorre apenas no momento da prescrição de medicamentos. Em conhecidos hospitais particulares da cidade de São Paulo há uma máfia de médicos que recomendam cirurgias desnecessárias como forma de engordar os rendimentos.
Como a maioria dos pacientes é atendida através de planos de saúde, o primeiro médico acaba sugerindo uma intervenção cirúrgica em face de um problema que não existe. O segundo médico convoca um terceiro, este um quarto, e assim vai.
E dessa maneira cria-se uma forma de “roubar” os planos de saúde, que frequentemente pagam por intervenções cirúrgicas que não aconteceram. Confesso que reuni indícios de onde esse tipo de prática criminosa ocorre, mas ainda não tive tempo para dar início a uma reportagem investigativa. Prometo que farei em breve.
Idade da pedra (quarta - 03/09/08 - 11h29)
Não há nada mais inexplicável que o comportamento humano. Especialmente se o homem fica exposto às invenções que ele próprio cria. Há dias, aqui mesmo neste espaço, condenei o conteúdo da novela A Favorita, da Rede Globo, uma verdadeira cartilha eletrônica do crime. Tomo o folhetim global como referência apenas porque a emissora é a que maior penetração tem nos lares brasileiros, e por sua vez consegue moldar o pensamento de seus fiéis telespectadores.
Na última segunda-feira, no Rio de Janeiro, um jovem foi espancado e morreu apenas porque chegou à escola com o cabelo cortado. Seus companheiros de sala de aula, adeptos do cabelo comprido, entenderam que a atitude do rapaz era uma afronta. E por conta disso resolveram aplicar um corretivo no jovem que desrespeitou uma das regras do grupo.
Atualmente, muitos produtos e serviços têm algum tipo de ligação com atos de violência. E a maior parte da população adere a esse consumismo como forma de re-inserção social. De cara parece algo de difícil compreensão, mas a teoria remota ao tempo das cavernas. Quando o ser humano é segregado socialmente, independentemente da forma como isso acontece, existe uma necessidade imediata de compensação. E muitas vezes essa compensação ocorre através de um comportamento violento.
O medo que a pessoa violenta passa aos outros proporciona a falsa sensação de respeitabilidade. E com isso o segregado passa a exibir um comportamento cada vez mais violento.
Autoridades, especialmente em períodos eleitorais, sempre falam em minimizar as mazelas sociais. Discurso politicamente correto, mas essas promessas não podem ficar limitadas ao ato de levar, asfalto, luz e água à periferia das grandes cidades. É preciso muito mais. Do contrário, a canibalização da sociedade caminhará a passos largos.
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