Geometria do dinheiro (quarta - 27/08/08 - 13h30)

Encontro de fachadas na Avenida Paulista, centro financeiro do país.
Música do dia (quarta - 17/08/08 - 13h23)
A cerimônia de encerramento dos Jogos de Pequim contou com a presença de inúmeras celebridades no estádio “Ninho do Pássaro”. Uma das músicas foi cantada pela jovem Leona Lewis, revelada recentemente em conhecidos programas de calouros, como o “American Idol” (EUA) e “The X Factor” (Inglaterra).

Cantora e compositora inglesa, Leona Lewis, aos 23 anos, é um fenômeno de vendas na Europa. O primeiro single da cantora bateu um recorde ao ser baixado na rede mundial de computadores 50 mil vezes em trinta minutos. Já o segundo foi recorde de vendas na Inglaterra.
Em fevereiro deste ano, Leona, que vem sendo chamada de a nova Mariah Carrey, assinou um milionário contrato com Clive Davis, fundador da gravadora Arista e responsável pelo início da carreira de ninguém menos que Whitney Houston.
Em Summertime é possível conferir o talento de Leona Lewis e prever o que acontecerá em termos de sucesso na vida da cantora que está sendo chamada de a nova Mariah Carrey.
A gravação de Summertime deixa a desejar em termos de qualidade, mas não chega a ser inaudível.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Summertime, com Leona Lewis.
Era o que faltava (quarta - 27/08/08 - 13h21)
Que de médico e louco cada um tem pouco, todos sabem, mas há no mundo os que abusam da teoria. Nos EUA, um grupo evangélico denominado “Pray at the Pump” reivindica para si o milagre da redução do preço da gasolina nos postos de combustíveis.
Liderado pelo ativista evangélico Rocky Twyman, o grupo conseguiu (sic) que o preço do galão (perto de 3,79 litros) de gasolina baixasse de US$ 4 para US$ 3,8. Ou seja, um minúsculo milagre.
Com tantos problemas para serem resolvidos, custa a acreditar que Deus se dedicará a causa tão insana.

Mesmo assim, não se pode descartar um convite a esse milagreiros de plantão para que visitem o Brasil, pois por aqui o preço do pãozinho nosso de cada dia continua nas alturas. Não tão perto do Senhor, mas simplesmente impagável e indigesto. Vem o aí o grupo “Pray at the Bakery”, ou para os não adeptos do inglês, “orando na padoca mais próxima”.
E sejam felizes!
Sem saída (quarta - 27/08/08 - 13h19)
E por falar em bobagens olímpicas, o Brasil ficará longe, por algum tempo, da enfadonha verborragia de Galvão Bueno, o narrador esportivo que tenta ser íntimo até mesmo de mãe de atleta. Uma bobagem tremenda que tem atormentado o telespectador que tem no esporte uma de suas paixões.
Pior que enfrentar diariamente o narrador “globeleza” é ouvir o sertanejo Leonardo cantando o jingle do antigripal Apracur.
Quem disse que eu quero saber se o nariz mela ou não?
Além de nojento, o jingle traz inúmeros erros de Português.
O Ministério da Saúde adverte: Apracur "emburrece"!
Ufa, finalmente (quarta - 27/08/08 - 13h15)
A Olimpíada de Pequim chegou ao fim, e com ela acabaram as transgressões gramaticais disparadas por jornalistas e comentaristas.
O mais persistente dos erros foi o “sair fora”, um pleonasmo que não apenas assassina a gramática, mas bombardeia o ouvido de qualquer um.
Pior que o “sair fora” foi ouvir alguém falando “vai vim”. Com muita condescendência poderia se dizer “vai vir”, mas algo que vai não pode vir no mesmo instante.
Bom seria se as pessoas, deixando de lado a informalidade verbal, perdessem o medo de falar corretamente. O melhor nesse caso do “vai vim” é virá.
Como escrevi dias atrás, o “vim”, se não for a conjugação do verbo “vir” na primeira pessoa do pretérito perfeito (eu vim, tu vieste, ele veio...), é marca de saponáceo.
Chamem o ladrão! (quarta - 27/08/08 - 13h13)
Dias atrás, a Polícia Civil paulista e a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo estão envolvidas em uma estranha investigação. Descobrir quem levou de um presídio localizado na região de Campinas, no interior do estado, um cofre com R$ 20 mil.
O dinheiro que estava sob a responsabilidade da direção do estabelecimento penal era parte do salário dos presos.
Como nos estabelecimentos penais é proibida a posse de dinheiro, os presos resolveram confiar nos funcionários públicos. É o típico caso de inversão de valores e papéis.
Só não vale apelar para a máxima popular que diz que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Chegaram ao óbvio (quarta - 27/08/08 - 13h11)
Desde o primeiro momento após o trágico acidente ocorrido em uma estação em construção do Metrô paulistano, insisti na tese de que negar a responsabilidade seria uma enorme bobagem. Dizer que tudo não passou de uma fatalidade é típico de quem quer fugir da culpa.
A maior prova de que os envolvidos na obra são culpados está em qualquer dicionário, até mesmo nos mais mambembes. A rua que fica ao lado do local do acidente foi batizada, não sem motivo, com o nome de Sumidouro.
Durante a minha adolescência passei diversas vezes pela Rua do Sumidouro. Foi quando decidi buscar no dicionário o significado da tal palavra. E desde então jamais esqueci o que encontrei como explicação.
No Houaiss, dicionário cuja versão eletrônica o portal UOL disponibiliza aos assinantes, encontra-se como primeira definição para a palavra sumidouro “orifício, fenda ou similar, por onde algo desaparece”.
Ora, se o terreno faz com que as coisas desapareçam e surjam do outro lado, aguardar um laudo do Instituto de Criminalística para saber quem é o culpado foi excesso de preciosismo.
É verdade que o documento servirá para instruir o processo judicial, mas o culpado já era conhecido.
Quentinha de nababo (quarta - 17/08/08 - 13h09)
A mais nova polêmica nacional tem o ex-banqueiro Salvatore Cacciola como protagonista. Autoridades do Rio de Janeiro estão empenhados em descobrir se os pratos cm lagosta e salmão consumidos pelo ex-banqueiro foram levados por parentes ou comprados em restaurantes elegantes da cidade com autorização dos carcereiros.

A comida de Salvatore Cacciola está sendo utilizada como escudo da moralização do sistema penitenciário fluminense, quando mazelas maiores são ignoradas pelas autoridades. Se uma enxurrada de celulares entra no presídio com facilidade, o que dizer de uma bem preparada lagosta?
Se a lagosta e o salmão não foram pagos com o dinheiro do contribuinte, o assunto é da exclusiva competência de Cacciola.
Fossem os agentes penitenciários devidamente remunerados, transgressões jamais ocorreriam.
Em São Paulo, maior cidade do país, certa vez um preso, assessorado por um criminalista que já ocupou o Ministério da Justiça, pagou R$ 15 mil para ter um celular na cela de uma delegacia. E pelo celular encomendava comida nos restaurantes da vizinhança.
Tudo com a anuência dos delegados e carcereiros. Ou seja, esse discurso moralista serve apenas para ludibriar a opinião pública, pois se a notícia da lagosta e do salmão do banqueiro não tivesse vazado, a mamata continuaria.
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