Sonho de consumo (terça - 19/08/08 - 13h33)

Sombra, água fresca e dolce fare niente.
Música do dia (terça - 19/08/08 - 13h25)
Nos Estados Unidos, como aqui, há um sem fim de talentos musicais que se perdem na burocracia da indústria fonográfica. Nas minhas andanças pela música negra norte-americana – afinal pesquisei esse gênero musical enquanto lá estive – redescobri Tamyra Gray, uma das finalistas da edição de 2002 do consagrado programa de calouros American Idol.
Nascida no estado de Maryland, Tamyra Monica Gray é atriz e cantora, mas foi no American Idol que conquistou notoriedade. Dona de uma voz firme e afinada, o que lhe permite abusar dos agudos, Tamyra Gray impressionou durante uma apresentação para a série Boston Public.

Na ocasião, Tamyra Gray cantou de maneira impecável e irrepreensível a música I will always love you, sucesso de Dolly Parton que ganhou o mundo na voz de Whitney Houston.
Entre o início de 2007 e junho de 2008, Tamyra Gray integrou o elenco do musical Rent, em cartaz na Broadway. Anote este nome, pois se não estiver merecidamente em algum CD ou DVD, estará num badalado musical da Grande Maçã.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça o I will always love you, com Tamyra Gray.
Parafuso solto (terça - 19/08/08 - 13h23)
Não canso de repetir que nos EUA, onde quer que se vá, é extremamente fácil encontrar formigas e loucos. Digo isso porque enquanto estive por lá as formigas eram minhas sócias. Uma coisa impressionante. E foram elas, as formigas, que me deram a devida carona para o filme “Ants” (formiga, em inglês), que, diga-se de passagem, foi uma produção e tanto. Como eu adoro desenhos...
Quanto aos loucos não é preciso muita explicação. Um dia, em 2000, entro na fila do banco e vejo à minha frente um cidadão de pijama. Do tipo que acordou e foi à agência para tratar de seus negócios. Paciência, lá é a vitrine do mundo, e eles pensam que podem tudo e mais um pouco.
Ontem, no rastro dos ventos da tempestade tropical Fay, que está prestes a ser declarada furacão, um morador da bela Fort Lauderdale – meu último endereço na terra do Tio Sam – resolveu praticar kitesurf.

O espertalhão foi arrancadao da praia por ventos de 100 km por hora e atirado violentamente contra a parede lateral de um prédio. Com fraturas múltiplas pelo corpo, o gênio dos ares não corre risco de vida.
Só quem já enfrentou um furacão sabe do que é capaz esse fenômeno da natureza. Entre 1998 e 2000, enfrentei três furacões no sul da Flórida. No primeiro pouco pude fazer. Ser arrastado pelas ruas do centro de Miami foi o meu bastimo no mundo dos furacões. Já no segundo, por ordem da prefeitura local, acabei em um abrigo. No terceiro, assisti, de dentro da sala do apartamento, o vento arrancar portas, janelas e árvores, além de virar carros e pequenos caminhões. O dia seguinte foi de desolação.
Provavelmente, alguém contou para esse maluco sobre seu parentesco com Ícaro.
Pegando carona (terça - 19/08/08 - 13h21)
Há situações no Brasil que são incompreensíveis. Dorival Caymmi foi, e sempre será, um dos grandes nomes da música nacional. Muitas de suas canções turbinaram carreiras de cantores que hoje desfrutam das benesses que o sucesso proporciona.

Depois de todos os salamaleques oficiais por ocasião de seu velório, o baiano Caymmi será homegeado pela prefeitura do Rio de Janeiro, cidade que escolheu para viver.
O prefeito da Cidade Maravilhosa decidiu baizar uma rua da zona sul da cidade com o nome de Dorival Caymmi. Homenagem justa, é verdade, mas que poderia ter sido feita enquanto o cantor estava vivo.
Esse “bom-mocismo” de alguns para com os que já foram não passa de oportunismo barato.
Eu tô maluco! (terça - 19/08/08 - 13h20)
Em 2006, dias antes de desembarcar na campanha pela reeleição, o petista Lula da Silva disse que a Saúde no país estava a um passo da perfeição. O que era, como ainda é, uma utopia discursiva.
Hoje, o Diário Oficial trouxe portaria do Ministério da Saúde, que prevê a realização de cirurgias de mudança de sexo pelo SUS.
No momento em que brasileiros que dependem do sistema público de saúde ainda morrem nas filas dos hospitais à espera de um atendimento, só mesmo uma insanidade eleitoral para determinar que cirurgias como essas mereçam tamanha atenção por parte do governo.
Números da verdade (terça - 19/08/08 - 13h18)
Leitores e amigos têm contestado a minha postura a favor da Lei Seca, mas é preciso reconhecer que a medida tem surtido efeito. Além de reduzir a quantidade de acidentes automobilísticos, reduziu também o número de atendimentos hospitalares.
Na região metropolitana de São Paulo, a maior cidade do país, os atendimentos hospitalares caíram de 16.565 para 9.364. Ou seja, uma redução de quase 44%.
Não se trata de ufanismo de ocasião, mas é preciso reconhecer que a Lei Seca funciona.
Show gratuito (terça - 19/08/08 - 13h16)
“Minotauro, Bebedouro e Mulheres”, de Pablo Picasso, a última obra roubada da Pinacoteca de São Paulo que ainda estava nas mãos dos bandidos, foi recuperada pela polícia paulista na última sexta-feira, mas só nesta segunda é que o feito foi anunciado. Tudo porque um anúncio feito na sexta pouco renderia em termos de dividendos para o governo de José Serra, que deveria ter evitado o roubo.
Não bastasse a pífia segurança da Pinacoteca, a Secretaria de Segurança armou um espetáculo para comunicar à imprensa o resgate da obra do gênio espanhol.
Três delegados deixaram suas divisões para, numa coletiva de imprensa, anunciar a proeza. O que não foi comentado é que a polícia suspeitava que a obra estivesse na zona sul da capital paulista, mas foi encontrada em uma estrada que tem início na zona oeste da cidade. A gravura só foi encontrada porque alguém revelou o local por telefone.
Enquanto acontecia o espetáculo policial, a bandidagem agia solta na cidade.
Inventando moda (terça - 19/08/08 - 13h12)
Em época de eleição, tudo vale na tentativa de conquistar o voto do eleitor. Mesmo que para isso seja necessária uma sandice qualquer. Nesta segunda-feira, o presidente Lula sancionou lei que torna obrigatório o ensino de música em todas as escolas do país.

Em tese trata-se de uma medida acertada, pois quando ainda estava na escola tive não apenas aulas de música, mas abríamos a semana cantando o Hino Nacional. Mas naquela época todos sabiam ler, enquanto o português era falado de maneira quase perfeita.
De nada adianta ensinar música para quem lê com dificuldade, assina o próprio nome num esforço descomunal e toma ônibus pela cor.
Bons tempos aqueles em que a Língua Portuguesa era alvo de honrarias.
E mais: resta saber qual tipo de música esses alarifes ensinarão nas escolas.
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