Mansarda em festa (segunda - 18/08/08 - 0h00)

Um detalhe colorido no acinzentado centro de São Paulo.
Eu voltei (segunda - 18/08/08 - 0h00)
Estar envolvido profissionalmente com a Operação Satiagraha obrigou-me a não escrever, durante certo tempo, neste espaço que proporciona tanto prazer e alegria.
Tentei, no meio do trabalho, retomar o meu ofício de escriba do cotidiano, mas confesso que o cansaço físico foi maior.
Em alguns momentos acompanhar a tal operação policial exigiu suplantar os limites da força. Foram horas, dezenas delas, diante do computador e ao telefone, sempre em busca de novos e exclusivos detalhes e no cruzamento de informações que durante anos guardei a sete chaves.
Agora de volta, retomo a normalidade enquanto torço para que os espertalhões que pensam estar acima da lei sejam exemplarmente punidos.
Mais uma vez tenho a sensação do dever cumprido. Valeu a pena!
Música do dia (segunda - 18/08/08 - 0h00)
A minha paixão pela música é algo conhecido de muita gente. Há dias, no rastro do espírito olímpico, pensava na música que mais me emociona, que mexe com minha alma.
E sem sombra de dúvidas o Hino Nacional é essa música. Durante os muitos anos em que vivi longe do Brasil, o Hino Nacional sempre foi um grande companheiro nos momentos de saudade e solidão.
Como o nosso Hino dificilmente será tocado outras tantas vezes em Pequim, especialmente porque o esporte brasileiro teve um vergonhoso apoio oficial, decidi reprisá-lo ao som das cordas do sempre genial Yamandu Costa, um dos mais competentes músicos brasileiros dos últimos tempos.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça o Hino Nacional Brasileiro, com Yamandu Costa.
Sensibilidade zero (segunda - 18/08/08 - 0h00)
Entre o ufanismo político e a realidade da vida há uma abissal distância. Como sempre, políticos adotam teses populistas de acordo com os próprios interesses.
Sonhando com a Presidência da República, o governador de São Paulo, José Serra, sugeriu a criação de uma lei para que “cada aluno seja obrigado a ler xis livros por ano”.

É verdade que o brasileiro lê muito pouco, mas isso acontece porque o nível do ensino é simplesmente pífio. Os baixos índices de leitura se devem ao fato de que a grande maioria lê ou escreve muito mal.
A saída seria melhorar a qualidade do ensino, e não penalizar por vias transversas quem não sabe ler ou escrever. A falta de sensibilidade dos homens públicos faz com que incentivar a leitura seja algo impossível.
Governador José Serra, o insuperável Monteiro Lobato disse certa vez que “Uma nação se faz com homens e livros”, mas não faça daquele que não lê um fora da lei.
Contra o povo (segunda - 18/08/08 - 0h00)
A chamada Lei Seca, que endureceu o jogo com os que bebem além da conta, pode ser considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo a substancial redução do número de acidente e mortes provocadas pelo consumo excessivo de álcool deve sensibilizar os integrantes da mais alta corte da Justiça brasileira.

Que o lobby do setor de bebidas é pesado, todos sabem, mas se essa lufada criminosa chegou ao Judiciário é porque estamos a um passo do fim.
Se o STF decidir pela inconstitucionalidade da Lei Seca, é porque perder a vida por conta de alguns goles a mais de um irresponsável qualquer é algo absolutamente natural.
Essa lei só vai pegar quando o filho de algum figurão morrer ou matar alguém em um acidente de trânsito. Antes disso é bom esquecer.
Para poucos (segunda - 17/08/08 - 0h00)
Há dias, a Justiça decidiu pelo não uso de algemas no momento da prisão, exceto em alguns casos excepcionais. Tudo porque a Polícia Federal, semanas atrás, algemou alguns figurões durante a Operação Satiagraha.
O assunto ganhou as instâncias superiores da Justiça, onde só os endinheirados têm chances, e a história mudou o cenário policial de maneira repentina.
Uma coisa é abuso de autoridade, outra é garantir a segurança do preso e do agente da prisão. A primeira conseqüência da decisão da Justiça surgiu no julgamento do traficante Fernandinho Beira-Mar, no Rio de Janeiro.
Beira-Mar permaneceu sem algemas na sala de audiência, o que é extremamente absurdo. Imaginar que um preso (perigosíssimo) algemado pode influenciar na decisão dos jurados é uma enorme bobagem.
Nos EUA, quando a Justiça determinou a prisão de executivos de grandes empresas (a Enrom foi uma delas) envolvidas em escândalos contábeis e outras confusões, todos saíram algemados, em plena cidade de Nova York. Com direito a câmeras de TV e tudo mais.
Quando acompanhei o polêmico caso do Dossiê Cayman, nos EUA, estive presente em várias audiências na Justiça Federal daquele país, onde os presos chegavam algemados uns aos outros e com correntes nos pés. Aquela imagem jamais sairá da minha memória.
Entendo que o ortodoxismo, em qualquer situação, é perigoso.
Não demora muito e, aqui no Brasil, a polícia terá de pedir licença para prender.
Metendo a colher (segunda - 17/08/08 - 0h00)
Há uma tênue e perigosa linha que separa as celebridades do mundo dos fãs. E nesse estreito espaço a imprensa especializada ganha verdadeiras fortunas. Bisbilhotar a vida alheia rende dinheiro e patrocina tragédias.
O mais contundente caso foi o de Diana Spencer, que perseguida por alguns inescrupulosos paparazzi acabou morrendo em um acidente em Paris. O atacante Ronaldo teve a sexualidade contestada num imbróglio envolvendo travestis. Agora, o mais novo alvo é a filha de Demi Moore e Bruce Willis. De acordo com a revista Page Six, a jovem Rumer Willis seria gay.
Rumer rebateu a especulação dizendo que “se as pessoas me chamam de lésbica porque eu uso cabelo curto e jeans, em vez de vestidos, eu acho isso hilário. Eu gosto de homens”.
Resta saber o que muda no universo a opção sexual da filha de Moore e Willis.
Em tempo: quando o mundo deixar de comprar esse tipo de publicação, as celebridades serão pessoas absolutamente normais.
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