Luz na cidade luz (terça - 10/06/08 - 12h27)
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Pont Neuf, em Paris
Música do dia (terça - 10/06/08 - 12h25)
No contraponto do lado mesquinho das paixões modernas, mas pegando carona no vácuo da semana em que os apaixonados se declaram muitas vezes de maneira capitalista e mentirosa, a baiana Daniela Mercury, que por aqui já passou e dispensa qualquer apresentação, esbanja talento vocal – com seu charmoso sotaque soteropolitano – ao cantar Como Vai Você, a música do dia, da cepa do saudoso Antonio Marcos.

Em Como Vai Você, Antonio Marcos mostrou a extensão da sua sensibilidade ao se declarar e querer saber sobre o cotidiano da mulher amada.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Como Vai Você, com Daniela Mercury.
Cultura etílica (terça - 10/06/08 - 12h23)
No país onde beber tresloucadamente é profissão - e rende minutos extras de fama - e aquela fatídica água que passarinho não bebe leva alguns incautos a elegerem presidentes errados, o melhor mesmo é conhecer a história da pinga.
Antigamente, no Brasil, para se obter o melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho, que era levado ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
Porém, um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou.
O que fazer agora?
A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo e fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.
Resultado:
O “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho inúmeras goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava.
Daí o nome “PINGA”.
Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de “ÁGUA-ARDENTE”, que depois passou para aguardente.
Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.
(História contada no Museu do Homem do Nordeste).
Não basta beber, tem que conhecer!
Paixão moderna (terça - 10/06/08 - 12h14)
Faltando poucas horas para o Dia dos Namorados, data meramente comercial, uma polêmica desembarca nos meios jurídicos.
Para escapar das responsabilidades de uma relação supostamente duradoura, o que de todas as maneiras compromete o patrimônio pessoal, casais de namorados são presença constante nos cartórios. Só porque um contrato de namoro é o documento legal, e aceito pela Justiça, para que a chamada união estável não se transforme numa espécie de espada de harakiri.
Tudo muito bem, mas esse lado moderno e egoísta da paixão não combina com o meu pensamento. Resumindo, hoje em dia se diz “te amo” com as duas mãos no bolso.
Maus lençóis (terça - 10/06/08 - 12h12)
A Justiça paulista inocentou os quatro acusados de tentarem extorquir o padre Julio Lancelotti. Em setembro de 2007, Lancelotti procurou a polícia para dizer que estava sendo vítima de extorsão. Uma farsa montada pela defesa do religioso, que destinou o dinheiro oficial para outros fins.
Acusado de pedofilia e abuso sexual, Julio Lancelotti nega qualquer envolvimento com um ex-interno da Febem. As histórias do padre são famosas no submundo da adolescência e juventude. Conversei com alguns ex-funcionários da Febem e, surpreendentemente, nenhum deles titubeou na hora de confirmar o que todos já sabiam.
Acontece que Lancelotti é ligado ao PT e recebeu verbas federais para fins sociais. E para abafar mais um escândalo, o próprio partido colocou à disposição de Lancelotti o advogado e ex-deputado federal Luís Eduardo Greenhalgh. O mesmo que de maneira competente sufocou os desdobramentos indesejáveis do caso do assassinato de Celso Daniel.
Donos da verdade (terça - 10/06/08 - 12h11)
São Paulo e Rio de Janeiro vivem os efeitos das fatídicas e enfadonhas semanas de moda. Criações esdrúxulas ganham as passarelas, como se o que por elas passam são peças absolutamente usáveis.
Há quem me critique, mas isso pouco importa. O Brasil é um país de terceiro mundo, com problemas sociais de nações miseráveis, mas uma minoria insiste em fazer da nossa querida e amada Botocúndia um reduto de gênios e abastados.
Décadas atrás, decidi enfrentar a irresponsabilidade de criadores e editoras de moda por conta da fatídica saia balonê. Foi uma briga e tanto, mas em nenhum momento mudei de idéia.
A brasileira é mundialmente conhecida pela exuberância do derriére, e é exatamente essa parte do corpo feminino que faz com que os homens tenham repentinos torcicolos. Colocar uma saia balonê numa mulher bunduda é uma aberração criativa de quem acredita ser um gênio.
Passadas essas semanas de moda, no Rio e em Sampa, os “modelitos” chegarão às lojas dez ou vinte vezes mais caros que o custo de cada peça. Tudo porque essa fantasia inescrupulosa que emoldura o mundo da moda precisa sobreviver.
Coisas do imundinho fashion.
A dura realidade (terça - 10/06/08 - 12h09)
Nos dois anos que passei ministrando cursos na extinta Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da capital paulista, muitas foram as histórias e estórias que ouvi.
Naquela penitenciária, a maioria das presas estava envolvida direta ou indiretamente com o tráfico de entorpecentes. O que mostra que o mundo caminha cada vez mais na direção da insolubilidade.
O que mais me preocupou foram os repetidos relatos de drogas que sumiam no momento do registro policial do flagrante. Segundo minhas ex-alunas, as quantidades registradas nos boletins de ocorrência eram sempre menores do que o volume apreendido.
Ou seja, a droga volta ao mercado pelas mãos da própria polícia.
Decobriram a pólvora (terçaa - 10/06/08 - 12h08)
Os jornalões trazem nesta terça-feira uma notícia que não é novidade para quem acompanha o cotidiano da polícia. O delegado Robert Leon Carrel, que durante alguns anos integrou a cúpula do Departamento de Narcóticos, foi acusado pelo Ministério Público de sumir com 327 kg de cocaína.
Sumiços de drogas são comuns durante a prisão de traficantes. Cientes do problema, as autoridades fingem desconhecer o assunto. E não demorará muito para que o tal delegado desqualifique o trabalho do MP e de seus integrantes. Se Robert Carrel é de fato culpado, certamente não agiu sozinho.
A polícia paulista passa por um momento de novo descrédito, a reboque do escândalo da venda de carteiras de habilitação. Coibir práticas semelhantes é muito fácil. Basta comparar os rendimentos dos policiais com os respectivos patrimônios.
Certa vez, sugeri ao então governador Geraldo Alckmin uma operação "pente fino" em algumas delegacias de São Paulo, que ele próprio poderia escolher. Alckmin simplesmente não respondeu.
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