PARA QUE A VIDA NÃO SEJA UM ETERNO CARNAVAL

uchohaddad.com - 2008

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Velhos tempos (segunda - 26/05/08 - 13h20)

Só para matar a saudade

 

Música do dia (segunda - 26/05/08 - 12h19)

Pianista e compositor norte-americano, Herbie Hancock, um dos mestres do jazz, nasceu na cidade de Chicago em abril de 1940. Herbie tocou ao lado de grandes nomes da música yankee, mas sua participação no grupo musical de Miles Davis lhe permitiu criar intimidade com o piano elétrico, instrumento que desde a década de 60 adotou como referência.

Considerado como um dos maiores pianistas do jazz, Herbie Hancock montou seu próprio grupo na década de 70. A partir da aí, Herbie passou a adotar um estilo de música que agradou aos norte-americanos: o afro-americano, com uma sonoridade indiscutível. Herbie tem um jeito especial de tocar, no qual as notas musicais magicamente conquistam o espaço.

Em Summertime, a música do dia, Herbie Hancock deixa claro o seu incontestável talento ao lado de Joni Mitchell, cantora que empresta à musica um charme extraordinário a esse clássico da música norte-americana.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Summertime, com Herbie Hancock ao piano e Joni Mitchell.

 

Parafuso solto (segunda - 26/05/08 - 12h18)

Principal centro financeiro do país, a Avenida Paulista é o local mais inadequado para a realização de eventos grandioso, como a Parada Gay. Na quinta-feira, feriado de Corpus Christi, a Igreja Renascer em Cristo realizou a Marcha para Jesus, que reuniu 1,2 milhão de fiéis, segundo a Polícia Militar. E o evento não aconteceu na Paulista, mas na zona norte da cidade de São Paulo.

O prefeito Gilberto Kassab anunciou que, em 2009, a Marcha para Jesus será realizada no autódromo de Interlagos. O que já deveria estar ocorrendo com a Parada Gay.

Acontece que o prefeito da maior cidade do País, seja ele quem for, é refém da pressão exercida pelos comerciantes e hoteleiros da região da Avenida Paulista. Afinal, os que desembarcaram na Paulicéia Desvairada para participar da Parada Gay torraram nada menos que R$ 200 milhões em quatro dias.

(Foto: Ucho Haddad)

Há quem diga que a Parada é realizada na Paulista por conta dos inúmeros hospitais existentes na região, o que em tese facilitaria o atendimento médico aos que abusam durante o evento.

Mas isto não é verdade, pois os casos que requerem cuidados adicionais têm a Santa Casa de São Paulo como destino final. E a Santa Casa não fica ao lado da Avenida Paulista, um importante corredor que une os principais hospitais do País. E impedir o acesso aos mesmos é crime premeditado.

1- Hospital das Clínicas 2- Instituto do Coração - 3- Instituto de Referência da AIDS 4- Hospital Nove de Julho 5- Pró-Matre Paulista 6- Hospital Santa Catarina 7- Hospital do Coração 8- Hospital Oswaldo Cruz 9- Hospital Beneficência Portuguesa 10- Hospital Sírio-Libanês

Ou Kassab adota a isonomia no tratamento de todas as tribos, ou dúvidas ficarão no ar.

 

Na contramão (segunda - 26/05/08 - 12h15)

A homofobia caminha na direção da criminalização e opção sexual não se discute. O que se discute é o comportamento adotado pelo ser humano diante de uma sociedade múltipla em termos de direitos e deveres.

(Foto: Ucho Haddad)

Primeiramente quero externar a minha opinião quanto à Parada Gay. Não passa de um carnaval fora de época, realizado na maior cidade do País, e com apenas um samba enredo. A defesa dos direitos dos GLBTs.

Considerando que, de acordo com a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza – e esta é uma cláusula pétrea de nossa Carta Magna – não há razão para criminalizar a homofobia. Basta cumprir a Constituição, o que, aliás, no Brasil é o que menos se faz.

(Foto: Ucho Haddad)

Por outro lado, um evento exclusivo para os GLBTs é um combustível a mais nesse explosivo assunto que é a discriminação. Ora, se todos nós somos iguais não há razão para exclusividade. Isso me lembra as cotas exclusivas para os afro-descendentes. Uma espécie de anti-semitismo tupiniquim.

Dar preferências como forma de minimizar a exclusão é reconhecer e reforçar uma polêmica desnecessária.

 

Goles extras (sexta - 26/05/08 - 12h14)

O capítulo mais preocupante da 12ª edição da Parada Gay, realizada neste domingo em São Paulo, foi o consumo exagerado de drogas e bebidas alcoólicas.

(Foto: Ucho Haddad)

No posto médico instalado em frente ao Masp foram contabilizados mais de 300 atendimentos. Quase sempre com o meso diagnóstico: excesso de álcool e drogas. Algo que a polícia paulista, em todas as suas instâncias, não conseguiu coibir.

Cada um faz o que bem quiser da própria vida, mas quem acompanhou o entra e sai no posto médico conseguiu visualizar a decadência da juventude brasileira. Em sua maioria, os atendidos não passavam de 25 anos de idade. Ou seja, o futuro do Brasil, que em breve estará nas mãos dessas pessoas, está seriamente comprometido.

(Foto: Ucho Haddad)

Alguns podem achar que este é um discurso careta de um velho détraqué, mas o que vi e fotografei neste domingo foi algo deprimente em todos os sentidos. Gente cambaleando por toda a parte, pessoas sendo atendidas no chão do ambulatório improvisado. Um policial me disse que tudo aquilo mais parecia uma praça de guerra. E de fato parecia.

 

Bola fora (segunda - 26/05/08 - 12h13)

“Mulheres são burras”. Logicamente que a declaração não é minha, mas de Maurício Kuehne, diretor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Para Kuehne, as próprias mulheres são culpadas pelo fato de 62% das presas do país não receberem nenhum tipo de visita social.

Não bastasse sua notória falta de sensibilidade – de burras as mulheres nada têm – Maurício Kuehne mostra que de sistema penitenciário pouco entende.

E afirmo isso porque durante dois anos freqüentei a Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da capital paulista, unidade prisional que não mais existe.

Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, Kuehne acertou uma única vez quando disse que as mulheres visitam os companheiros presos, mas a recíproca não é verdadeira. Mas é errado dizer que é um caso típico da cultura machista. Há situações preponderantes que contribuem para essa situação.

No mundo do crime os homens são unidos. Quando estão presos, os homens contam com seus parceiros de crime no monitoramento da família. E quem não rezar na cartilha da bandidagem corre sérios riscos. No caso das mulheres, esse controle no mundo externo não existe de forma tão sufocante.

No que tange as chamadas visitas sociais, elas acontecem em menor número por diversos fatores. E um desses fatores é a corrupção que impera nos estabelecimentos penais, que encontra na burocracia de cada unidade prisional uma fonte para subsistir.

Ou seja, Maurício Kuehne mais parece um pára-quedista.

 

Parafuso solto (segunda - 26/05/08 - 12h12)

Ainda os presídios femininos... Quem conhece um estabelecimento penal feminino sabe a extensão desse verdadeiro barril de pólvora.

A extinta Penitenciária Feminina do Tatuapé, onde lecionei por quase dois anos, abrigava 650 internas. Ou seja, todo dia pelo menos 100 presas estavam na temida e muitas vezes perigosa TPM. O que faz com que qualquer presídio se transforme em uma espécie de reboliço contínuo.

É fato que a falta de vistas íntimas ou sociais contribui para o aumento da violência interna, mas a ausência do Estado no sistema prisional é o que mais pesa nesse explosivo coquetel.

E o baixo número de visitas íntimas faz com que o homossexualismo, mesmo que temporário, seja uma válvula de escape para as necessidades sexuais e afetivas de cada presa.

No contraponto, o cerceamento da liberdade faz com que a criatividade do preso evolua. Certa vez, na Penitenciária Feminina do Tatuapé, fui chamado por algumas internas para solucionar uma pendenga que contrapunha as ocupantes de uma mesma cela.

Há muito sem ver o namorado, uma das presas criava gatos dentro da cela. Os bichanos serviam como ferramenta sexual para a presa que matou toda a família usando uma faca de cozinha.

A tal detenta guardava em um pote o óleo que sobrava nas latas de sardinha. No auge da excitação, a detenta passava o óleo na genitália e colocava os gatos e suas respectivas línguas para trabalharem.

Durante uma longa conversa, a presa me disse que aquela era a única solução que encontrara para solucionar suas fantasias sexuais.

A realidade atrás das muralhas de um presídio é bem diferente do que se alardeia por aí.

Para compreender um pouco do cotidiano prisional sugiro que leiam “A Maria que nunca pede socorro”, artigo que escrevi à época do meu convívio com as presas do Tatuapé.

 

Baila comigo (segunda - 26/05/08 - 12h09)

Na edição deste domingo, o Jornal do Brasil trouxe uma reportagem interessante, porém polêmica. O dançarino profissional.

Nos bailes da chamada terceira idade, a presença constante de dançarinos profissionais tem movimentado os estabelecimentos que se dedicam a tal atividade. A dança de salão.

Em média, cada dançarino ganha R$ 2 mil mensais. O detalhe sórdido nessa história é que algumas das senhoras que contratam os tais dançarinos muitas vezes exigem exclusividade. E essa tal exclusividade se transforma em relacionamento mais íntimo.

Dançar profissionalmente, tudo bem, mas se prostituir através da dança é condenável.

 

Capítulo novo (segunda - 26/05/08 - 12h08)

Engana-se quem pensa que o caso Isabella Nardoni caiu na vala do esquecimento. Peritos contratados pela defesa do casal Nardoni apresentam ainda nesta semana um laudo que contesta as conclusões da Polícia Científica de São Paulo, cujos dados serviram de base para a decretação da prisão de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá.

Pode ser mais um estratagema para tumultuar ainda mais o julgamento de ambos, mas um dos peritos contratados, George Sanguinetti, é um profissional qualificado e respeitado.

Para quem não se lembra, Sanguinetti atuou no caso da morte do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello, o controverso e misterioso Paulo César farias, o PC.

Contratar profissionais experientes é um direito dos acusados, mas bom seria se o assunto não voltasse a ocupar a mídia de forma escandalosa, como aconteceu até dias atrás.

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Música do dia

Em Summertime, Herbie Hancock deixa claro o seu incontestável talento ao lado de Joni Mitchell, cantora que empresta à musica um charme extraordinário a esse clássico da música norte-americana. Clique na imagem abaixo e ouça.

 

Novo espaço, novo desafio

Comentar o cotidiano sempre foi um sonho, uma meta possível e não tão distante. O grande problema, como sempre, era o tempo e sua ausência. Mesmo que tardia, chegou a hora de cuidar desse carnaval em que se transformou o nosso dia-a-dia.

Muitos me perguntam se estou abandonando o jornalismo político. Não, isto não está nos meus planos. Pelo menos por enquanto. Esta é uma tarefa exclusiva do Criador.

Uma nova página significa mais trabalho, mas opinar é algo que se confunde com o ar que respiro. Existir é escrever e vice-versa. É permitir a renovação da alma, do pensamento e da lógica. É acreditar num amanhã diferente.

Lançar este novo espaço só foi possível a partir da tranqüilidade que os parceiros, conquistados nos últimos tempos, têm me proporcionado.

"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."

Ucho Haddad

[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.

Mahatma Gandhi

 

“O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor.
O amor vive de dar e perdoar, e o egoísmo vive de tomar e esquecer”.

Sathya Sai Baba

 

Tudo sobre a política nacional, direto de Brasília, com a mais comentada equipe de jornalistas políticos da atualidade.

 

Clique na imagem acima e descubra Letras do Coração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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