Charme de sobra (quinta - 15/05/08 - 14h29)
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Beaulieu sur Mer, França, em foto de Erling Steen
Música do dia (quinta - 15/05/08 - 14h27)
A música Besame Mucho foi composta lá pelos anos 40 por uma mexicana. Esta música já foi gravada por um batalhão de gente pelo mundo afora, incluindo Ray Conniff.
Até aqui não há novidade alguma. O que poucos sabem é que os Beatles gravaram Besame Mucho nos anos 60, cabendo a Paul McCartney emprestar sua voz para a música que rodou o planeta a bordo do sucesso.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Besame Mucho, na voz de Paul McCartney.
Coisas da vida (quinta - 15/05/08 - 14h26)
Há coisas na vida que são inexplicáveis. Mas há outras que quando você mais precisa, elas invariavelmente falham. Ao longo dos meus quase 50 anos consegui listar quatro dessas coisas – coisas mesmo! – que sempre nos deixam à beira do caminho. Celular, gerente de banco, computador e sogro rico.
Quando você precisa urgentemente do celular ele está sem sinal ou a bateria está no fim. Sobre o gerente do banco pouco tenho a falar, mas é um assunto que dispensa comentários. Não porque o gerente seja intransigente, mas porque é preposto de pessoas inescrupulosas.
Durante a minha trajetória existencial, muitos foram os sogros ricos que desdenhei e mandei passear. Até porque, dinheiro de sogro é maldito. E computador...
Bem, computador é aquela coisa que vicia e que no auge da sua necessidade ele refuga. E foi o que aconteceu nesta manhã. Escrevia para o site quando, de forma temperamental, tudo se apagou. Foi então que imaginei que o arquivo estava devidamente salvo. Reiniciei o sistema e qual foi a minha surpresa. Tudo o que havia escrito foi para o espaço.
Bem, como nunca atirei um celular no chão, não falei mal do gerente do banco e muito menos soquei os ex-sogros ricos – eles só são ex-sogros, pois ricos eles continuam – chutar o computador seria uma covardia herege.
Restou-me, então, xingá-lo à vontade, desmarcar um almoço e escrever tudo novamente. Acabei me conformando, pois o texto saiu melhor. Bingo!
Ela é um show! (quinta - 15/05/08 - 14h25)
Ela é competentemente multimídia. Atriz de teatro encantadora. Jornalista dedicada e das boas. Dona de uma das mais belas vozes da imprensa brasileira, o que lhe confere o direito de encarar com tranqüilidade qualquer microfone de nossa querida e amada Botocundia. Refiro-me, com as devidas e merecidas honras, à amiga Patrícia Rizzo.
Não faz muito tempo, Patrícia desembarcou na diariamente necessária Rádio Jovem Pan, e lá passou a integrar o projeto “Jovem Pan On Line”. Sua missão na JP era comentar sobre artes e espetáculos. O que, diga-se de passagem, Patrícia fez com amor e esmero. Afinal, ela é do ramo.
Mas não demorou muito para Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o “Seo Tuta” – dono da Jovem Pan – descobrir o diamante que tinha aportado na sua rádio. Agora, Patrícia Rizzo recheia as tardes da Pan com sua voz e talento inconfundíveis.
Há anos, tive o prazer de dividir por alguns instantes o microfone com Patrícia Rizzo. A minha voz, que muitos insistem em dizer que é boa, foi deliciosamente humilhada. Mas Patrícia me proporcionou esse momento especial, que guardo com o devido carinho na memória.
Não bastasse a luz que traz desde o ventre da mãe, Patrícia Rizzo tem a sorte de diuturnamente dividir os lençóis com Hoen, um amigo querido e o primeiro monge budista que em dados momentos deixa de lado os ensinamentos de Sidharta Gautama para torcer pelo velho e sofrido Corinthians.
Anotem este nome! Patrícia Rizzo. A rainha do rádio do século XXI.
Vítima da esperteza (quinta - 15/05/08 - 14h23)
Que o Brasil é o paraíso dos espertos, todos sabem, mas alguns insistem em superar a esperteza conceitual. Falar em insegurança pública no Brasil é transitar pela vala comum, mas determinadas situações mais parecem castigo do além.
Em São Bernardo do Campo, cidade do rico ABC paulista – região que tem como o mais ilustre morador ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva – ladrões invadiram um elegante apartamento e levaram, entre tantas coisas, R$ 150 mil em dinheiro vivo.
Resta saber o que um alarife, que se julga acima do bem e do mal, pensa ao guardar tanto dinheiro na própria casa. Provavelmente porque a origem do mesmo não é das mais ortodoxas, ou, então, ele não foi avisado que existem bancos.
Essa coisa de fugir do Leão muitas vezes custa caro. Dentro da minha santa ignorância, prefiro ter R$ 110 mil bem guardados no banco – e longe do Leão rugir à minha porta – do que saber que minhas economias foram parar em mãos indesejadas. Sempre lembrando que não tenho esse dinheiro todo sobrando.
Olho gordo (quinta - 15/05/08 - 14h21)
E por falar em esperteza... Em um hospital do Tatuapé, zona leste da Paulicéia de Desvairada, a córnea de uma mulher que morreu na madrugada desta quarta-feira foi retirada sem a autorização da família.
O caso foi parar na delegacia, e a funcionária do Banco de Olhos de Sorocaba – que funciona dentro do hospital paulistano – foi presa em flagrante e liberada após prestar depoimento.
A máfia dos órgãos age deliberadamente nos hospitais públicos – em alguns privados também – e não é difícil imaginar o que acontece diariamente na rede hospitalar da maior cidade brasileira.
Fosse o Brasil um país minimamente sério, a funcionária do Banco de Olhos ainda estaria presa. Com o sacro direito de contemplar o nascer do astro-rei de maneira geometricamente distinta. Em outras palavras, vendo o sol nascer quadrado.
Cintura de pilão (quinta - 15/05/08 - 14h19)
Uma notícia veiculada na edição desta quinta-feira (15/05) da Folha de São Paulo chamou minha atenção. Em Divinópolis, cidade mineira a 120 km de Belo Horizonte e que aprendi a admirar e respeitar, uma criança morreu e outras três continuam internadas em um hospital local após a ingestão de medicamento anti-convulsivo.
Certo de que as autoridades de Divinópolis saberão solucionar o caso, volto a minha pena para um assunto preocupante. Na busca incessante por uma silhueta de toureiro, os obcecados pela magreza recorrem a tudo o que surge pela frente prometendo medidas menores e roupas mais folgadas.
De shakes milagrosos a dietas absurdas, de medicamentos perigosos à anorexia indesejada. Tudo vale para ter um corpinho de sereia. A mais nova coqueluche do mundo do emagrecimento é um medicamento anti-convulsivo. Apurei que o tal remédio provoca um rápido e notório emagrecimento nas primeiras semanas de uso. Resumindo, a pessoa sabe que pode morrer, mas deseja estar delgada e linda na tumba.
É preciso muito cuidado com essas invencionices que surgem a reboque do culto ao corpo, pois a melhor fórmula para emagrecer está diretamente relacionada à boa vontade de cada um. Feche a boca e malhe muito. Do contrário, qualquer sugestão é uma senha antecipada para o outro lado da vida.
Não faz muito tempo, escrevi um artigo – “As longilíneas e o imundinho fashion” – no qual condeno com veemência essa criminosa indústria do corpo. Clique e confira “As longilíneas e o imundinho fashion”.
Aquarela brasileira (quinta - 15/05/08 - 14h17)
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, descobriu, após pesquisa, que os integrantes e simpatizantes do movimento negro são contrários ao uso do termo “preto” para designar a raça dos chamados afro-descendentes.
Nenhuma pesquisa era necessária para descobrir o óbvio. Preto é cor, negro é raça. Até porque, não vamos à papelaria para comprar um lápis negro. Compra-se, sim, um lápis preto.
Mas algumas situações levam à dúvida. E para tal valho-me do exemplo do jogador Grafite, que atuou no São Paulo e foi vítima de racismo. Ora, se um negro adota a alcunha de Grafite, é porque chama-lo de preto não é ofensa.
À época, aproveitei para escrever um longo e contundente artigo sobre o tema. E para minha surpresa o artigo foi bem recebido. (Clique e confira “Entre o futebol e a política, uma vergonhosa discussão racial”).
Não importa como você se refere a um negro. O que importa é o que se carrega na alma. Racismo não é uma questão de verbalização, mas de pensamento.
Por uma graça divina, sou filho adotivo de uma negra maravilhosa, que aos setenta e poucos anos consegue manter a transparência multicolorida da alma bondosa. Tal situação mostra que o Criador, sempre benevolente comigo, concedeu-me o privilégio de ter duas mães. Uma branca e outra negra. Ou seja, Deus foi e é uma aquarela de bondade.
Em tempo: na verdade tenho três mães. A terceira, obra do imaginário, serve para os meus desafetos xingarem à vontade. Até porque, as outras duas são dignas e merecem respeito.
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