Ponto de partida (quinta - 08/05/08 - 13h00)

Estação ferroviária de Milão, a famosa Centrale
Música do dia (quinta - 08/05/08 - 12h45)
Hoje eu acordei com preguiça, e nem o dia ensolarado mudou o meu ritmo. A minha alma está meio indolente, meio vagabunda. E foi por isso que, ao vasculhar o meu arquivo musical, busquei uma música mais tranqüila e que proporcionasse boas recordações.
Parisiense, Françoise Hardy cresceu na companhia da mãe e da irmã em um pequeno apartamento da capital dos franceses. Aliás, por lá quase todos os apartamentos ocupados por reles cidadãos são assim, minúsculos.

Antes de ingressar na faculdade, Françoise Hardy ganhou do pai uma guitarra. Foi o suficiente para que, além de compor suas canções, Hardy não completasse os estudos.
A estréia profissional de Françoise Hardy no mundo da música aconteceu aos dezessete anos, quando assinou contrato como sele discográfico Vogue.
Entre os grandes sucessos de Françoise Hardy, que retornou ao universo dos trinados em 2004, o que mais me marcou foi La Question.
Balada tipicamente romântica, La Question foi a música de fundo para que os agora quarentões e cinqüentões chorassem os amores perdidos na época.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça La Question, com Françoise Hardy.
Esta é nova (quinta - 08/05/08 - 12h45)
Estou cada vez mais convencido que o mundo seria outro não fossem algumas decisões tomadas por nossos adoráveis semelhantes.
O queijo-de-Minas, presença obrigatória nas dietas daqueles que ostentam com excesso de culpa alguns quilos a mais, agora é patrimônio cultural. A decisão foi tomada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

Esse novo status do queijo-de-Minas, popularmente conhecido como queijo branco, será sentido pelo consumidor no momento da conta da mercearia. É o que garantem os envolvidos na produção da iguaria, que não descartam um ligeiro aumento no preço do produto.
Enquanto isso, no Brasil do salvador da pátria Lula da Silva, morrer de fome é algo corriqueiro.
Tiro ao alvo (quinta - 08/05/08 - 12h45)
Antes da abertura oficial dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, alguém disse que a Cidade Maravilhosa teria, pós-evento, o maior e melhor sistema de segurança pública do País.
Mas, como sempre, a promessa não vingou. É verdade que a memória do povo é muito curta, mas não se pode esquecer quando balas perdidas disputam um lugar ao sol sob as barbas do Cristo Redentor.
Na edição desta quinta-feira, o Jornal do Brasil traz logo na primeira página a seguinte manchete: “Leme amanhece em meio à guerra”. De acordo com a reportagem, os bandidos, que juntamente com a polícia transformaram o bairro carioca em faroeste tupiniquim, acabaram fugindo pelo Morro do Chapéu Mangueira.
A operação policial interrompeu um plano de um grupo criminoso que pretendia tomar os pontos de venda de drogas na região. Não resta dúvida que a criminalidade deve ser combatida, mas é preciso lembrar que o Morro do Chapéu Mangueira fica na rota dos aviões que pousam e decolam do aeroporto Santos Dumont, o mais charmoso do país.
Muitos já foram os relatos de pilotos sobre balas perdidas além das alturas. Ou seja, mais um pouco até o Criador será obrigado a mudar de andar.
Assalto a menos (quinta - 08/05/08 - 13h40)
E por falar em lobby, os banqueiros tentaram durante meses a fio perpetuar a cobrança, em cada financiamento, da Taxa de Abertura de crédito, a famigerada TAC. Quem alguma vez comprou um carro financiado, com toda certeza foi vítima desse roubo.
A TAC rendia anualmente aos bancos, em todo o Brasil, a bagatela mínima de US$ 3 bilhões. Uso o verbo render no passado porque a farra acabou. A TAC não mais será cobrada pelos bancos em quaisquer modalidades de financiamento ou empréstimos. É o que decidiu o Banco Central, a quem questionei sobre a legalidade da cobrança.
A minha sensação é de dever cumprido para com o Brasil e a sociedade brasileira, pois lutei incansavelmente contra os banqueiros pelo fim da TAC. Uma luta que me rendeu alguns dissabores e acusações levianas, mas o esforço foi recompensado.
Estamos livres da TAC. Ufa!
Conversa de bêbado (quinta - 08/05/08 - 12h38)
Já faz muito tempo que o poder não consegue sobreviver sem a presença do lobby. E deixo claro que não entendo que conceitualmente o lobby seja algo criminoso. O que de fato caminha pela criminalidade são os objetivos finais dos lobistas e abordagem das autoridades.
O mais novo lobby, que chacoalha os escaninhos do poder, é patrocinado por fabricantes de cervejas, veículos de comunicação e agências de publicidade. Juntos, os três setores conseguiram adiar a votação no Congresso do projeto que proíbe a veiculação de publicidade de bebidas entre as 6 e as 21 horas, no rádio e na TV.
A decisão de empurrar a votação para junho deste ano partiu do Palácio do Planalto, que, após ceder ao lobby, pressionou a Câmara dos Deputados na tentativa de transformar o Brasil num país de bêbados.
A campanha que os setores envolvidos no tal lobby veiculam nas emissoras de rádio e TV mostra a dimensão do perigo à que a sociedade vem sendo exposta. A frase mambembe – “se beber não dirija” – colada aos comerciais de bebidas pouco resolve em termos de conscientização do perigo que é a ingestão de bebidas alcoólicas.
Queiram ou não os adeptos das biritas, álcool é droga e a juventude brasileira se alcooliza cada vez mais cedo. Considerando que todo e qualquer futuro é o estrito reflexo do presente, não é difícil adivinhar o que acontecerá com o Brasil dentro de alguns anos.
Eis o resultado de ter no poder um amante daquela água que passarinho não bebe.
Camisa de força (quinta - 08/05/08 - 12h35)
Quando, muito recentemente, andar de avião era a mais impossível das coisas deste país, a enfadonha e détraqué Marta Suplicy, ministra do Turismo, disse, em tom de galhofa, que o melhor a se fazer era “relaxar e gozar”. Um discurso apropriado para uma sexóloga em fim de carreira.
Como o Brasil se transformou na terra dos desmandos, e por aqui cada autoridade fala o que quiser sem medo da punição, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ao comentar sobre o naufrágio ocorrido no rio Solimões, disse nesta quarta-feira que a fiscalização das embarcações cabe aos passageiros.
Ora, o brasileiro madruga para com seu minguado e suado dinheiro custear uma máquina pública ineficiente, mas o ministro deve achar muito pouco o que é pago pelo contribuinte. Não se pode esquecer que no rastro do inchaço da máquina pública patrocinado pelo metalúrgico e dublê de presidente Luiz Inácio da Silva, foi criada a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq.
E até o momento nenhum integrante da tal agência foi chamado para explicar a criminosa baderna que é o transporte de passageiros na bacia amazônica.
Detalhes idiotas (quinta - 08/05/08 - 12h33)
Um dos maiores jornalistas brasileiros, o qual me dá o privilégio de ter sua amizade, Carlos Brickmann sempre disse que em tempo de escassez de notícia, até escultura de areia na praia vira manchete. Ao que parece, Brickmann será para toda a eternidade o profeta da turma de Gutenberg.
Não bastasse a pirotecnia sensacionalista que a imprensa brasileira patrocinou nas últimas semanas, agora o noticiário se dedica a divulgar detalhes pequenos e desnecessários do caso Isabella. Mal acontecia o romper desta ensolarada quinta-feira, e a imprensa se preocupava em noticiar que a Alexandre e Anna Carolina foi oferecido pão com manteiga e café com leite.
Como se isso fosse pouco, algumas emissoras de televisão informaram ao telespectador que Anna Carolina Jatobá passou a noite enrolada em uma coberta e sobre um pedaço de papelão.
Tirante a minha contínua indignação, fico pensando o volume de dinheiro que a cobertura do caso proporcionou à imprensa. Até porque, nenhum aparato como os que foram vistos é movimentado sem o devido retorno financeiro.
A saga continua (quinta - 08/05/08 - 12h29)
Engana-se quem pensa que a prisão preventiva de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tenha decretado o fim da novela Isabella. Com boa dose de certeza alguém discordará da minha decisão de usar a palavra novela para classificar o que tem ocorrido nas últimas semanas, mas beira a insanidade a atuação da imprensa na cobertura jornalística do caso.
Não tenho procuração do casal para defendê-lo, da mesma forma que não cabe a mim acusá-lo, mas Alexandre e Anna Carolina, mesmo que inocentes sejam, estão previamente condenados.
A explosiva combinação da sanha dos veículos de comunicação por uma manchete com a sordidez do ser humano, que se conforta com a tragédia alheia, fez com que uma sentença prévia fosse proferida. Os dois são culpados.
Cláusula pétrea da nossa Constituição Federal, a presunção da inocência foi deixada de lado. Como se a sociedade, vivendo nos tempos de Talião, pudesse deliberadamente aplicar a famosa lei do olho por olho, dente por dente. Sem a específica materialização, o que se viu, e ainda se vê, foi o que no meio jurídico é conhecido como o exercício arbitrário da própria razão.
Ou seja, o ordenamento jurídico pátrio foi desconsiderado.
Resta saber o que os veículos da imprensa farão se no decorrer do processo ficar provada a inocência de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni. No mínimo caberá ação de indenização e outras tantas figuras jurídicas.
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