Vida dura (segunda - 28/04/08 - 11h34)

Endereço do ócio, nas Ilhas Maurício
Música do dia (segunda - 28/04/08 - 11h32)
1989. Hotel Nacional, no Rio de Janeiro. Eis o cenário para o show dos sonhos de Sebastião Rodrigues Maia, o Tim, também conhecido como o síndico da música popular brasileira.

No show do Hotel Nacional, Tim Maia despeja todo o seu talento, acompanhado por orquestra e sua inseparável banda Vitória Régia. Durante o evento Tim, abusando da notória sinceridade, brinca com muitos dos que estavam nas coxias e na platéia, não sem antes dar suas conhecidas e carrancudas broncas.
Esse espetáculo que deve rechear a estante dos amantes da música está disponível em CD, sob o título “Tim Maia in Concert”, ao preço de R$ 24,90 (Fnac). Não há quem assista ao DVD e fique completamente parado.

Chamado por alguns de o “Barry White brasileiro”, por sua voz grave e devoção ao soul, Tim Maia, preservando as devidas proporções, foi muito melhor que o cantor norte-americano. Tim exibia em suas músicas um swing inconfundível, que até hoje chacoalha o esqueleto dos brasileiros.
Como o Brasil é, cada dia mais, o país do vale tudo, nada mais justo do que abrir espaço para o incrível e genial Tim Maia, que até hoje faz as pistas bombarem com Vale Tudo, a música do dia.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Vale Tudo, com Tim Maia.
Matéria inútil (segunda - 28/04/08 - 11h30)
Maior e mais importante revista semanal brasileira, a Veja, em seu capítulo paulistano – leia-se Veja São Paulo – traz matéria de capa que pouco acrescenta à vida dos leitores. A primeira vez de alguns famosos e poderosos da maior cidade do País.
De Juca de Oliveira a Silvio de Abreu, de Rogério Fasano a Lygia Kogos, estão todos lá. São vinte e dois descolados que vivem e trabalham na Paulicéia Desvairada.
Os responsáveis pela matéria esqueceram de inserir alguém que pudesse relatar a primeira vez que passou fome, um policial que relatasse a primeira vez que se corrompeu, um médico público que viu pela primeira vez alguém morrer na fila do atendimento.
Isso sim seria uma matéria jornalística de relevância.
Fim de linha (segunda - 28/04/08 - 13h15)
Quando ainda estava na escola – leia-se ginásio e clássico – a inclusão da chamada recuperação na estrutura de ensino causou uma hecatombe nas famílias que sempre acreditaram na capacidade das instituições de ensino. Com o passar dos anos, a tal recuperação tornou-se algo tão corriqueiro, que até perdeu a sua maléfica importância.
De lá para cá, a qualidade do ensino, seja público ou privado, cai diuturna e vertiginosamente. Não se trata de apostar todas as fichas no caos, mas para conferir a extensão da tragédia basta conversar mais atentamente com um aluno que deixa o ensino médio. São alienados com diploma.
Para minimizar a situação, as escolas acharam por bem criar um novo factóide. É o reforço, que segundo os educadores serve para garantir a aprovação no vestibular. Resumindo, o que as escolas praticam é um estelionato, pois compra-se algo que não será entregue em tempo algum.
É verdade que o desinteresse por parte dos alunos colabora de sobremaneira, mas a irresponsabilidade capitalista das escolas chega a assustar.
E assim caminho o Brasil rumo ao futuro.
Fora do tom (segunda - 28/04/08 - 11h28)
Fazer dos detalhes o diferencial da vida sempre foi, como ainda é, a minha obsessão. Tão logo as câmeras de TV começaram a desfilar pelo estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (é a sede da Ponte Preta), um detalhe chamou a atenção.
Nas arquibancadas do estádio aparece a marca Sherwin-Williams, conhecida fabricante de tintas. Quando se fala em tinta, o que vem à mente é algo colorido. Pelo menos é essa a primeira reação do pensamento humano.
Acontece que a Ponte Preta tem como cores oficiais o preto e o branco. Ora, por mais que o preto e o branco também sejam cores do espectro, é no mínimo bisonho imaginar o colorido que podem patrocinar.
Principalmente se considerarmos que a derrota por um gol a zero para o Palmeiras pretejou o colorido sonho ponte-pretano de conquistar o Campeonato Paulista.
Haja ouvido (segunda - 28/04/08 - 11h27)
Enquanto aguardava o início da partida entre Palmeiras e Ponte Preta, que permitirá ao vencedor da disputa vestir a faixa de campeão paulista de 2008, enfrentei os últimos minutos da primeira parte do enfadonho Domingão do Faustão.
Preparava-me para, como sempre, dar início à labuta semanal, quando vi adentrar ao palco do Faustão um grupo chamado Exaltasamba.
Como não poderia ser diferente, esse grupo de pagodeiros faz as mesmas caras e bocas que a concorrência exibe. Todos pensam que são músicos ou artistas, mas na verdade não passam de desafinados que vilipendiam a música popular brasileira.
De acordo com o apresentador, o grupo seguirá em breve para turnê internacional, começando por importantes cidades portuguesas. Ou seja, o mau gosto também desembarcou na terrinha.
Porém, o mais desolador é que toda a platéia do Domingão do Faustão acompanhou o Exaltasamba cantarolando as músicas do grupo.
Certamente ninguém da platéia saberia cantar, sem tropeço algum, o Hino Nacional.
Jogo de cena (segunda - 28/04/08 - 11h26)
A reconstituição do crime que levou à morte a pequena Isabella Nardoni serviu apenas para que a imprensa continuasse faturando.
Em termos técnicos, o trabalho realizado pela Polícia Civil paulista ajudará a defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que deve contestar qualquer que seja o resultado da perícia. O trabalho teve início em horário diferente dos fatos. Foi realizado em um domingo, enquanto o crime ocorreu num sábado.
A decisão da Justiça de bloquear o espaço aéreo na região – 1,5 km a partir do local do crime – contribuiu para a não elucidação do caso. Quando Isabella morreu, não havia bloqueio do espaço aéreo.
Ontem, domingo, até as concessionárias de automóveis da região norte de São Paulo reclamaram do movimento. Em conversa com o site, uma vendedora de automóveis creditou o fraco movimento na região à reconstituição do crime e à primeira partida da decisão do Campeonato Paulista.
Resumindo, foi um show pirotécnico que em nada contribuiu. E até agora não se pode afirmar quem matou Isabella Nardoni.
Enfim...
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