PARA QUE A VIDA NÃO SEJA UM ETERNO CARNAVAL

uchohaddad.com - 2008

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O astro-rei (sexta - 25/04/08 - 13h19)

O sol lambe ás aguas do mar da Flórida

 

Doce e baiana surpresa (sexta - 25/04/08 - 13h18)

Sempre ouvi de meus pais, quando criança, que os cabelos brancos de outrem deveriam ser respeitados. No começo foi difícil entender tal mensagem, mas com o passar do tempo acabei compreendendo seu significado. Mesmo que à época o argentar dos cabelos fosse algo muito distante da minha realidade.

O tempo correu como nunca e o branquear dos cabelos me pegou de surpresa. No meu caso, os cabelos brancos surgiram a reboque de uma tese de vida que defendo quando o assunto é repartir com o próximo tudo o que temos. Quanto mais se divide, mais se multiplica. Ou seja, você arranca o primeiro fio branco de cabelo que surge, acreditando que intimidados outros não virão. Mentira. Eles surgem em turma, bloco, gangue. E acaba tudo dominado.

Paciência, a vida tem dessas coisas. Mas aprendi a respeitar os cabelos brancos que na infância respeitava por imposição. Hoje, não mais presentes, aqueles cabelos brancos de outrora têm, com o devido e necessário saudosismo, a minha eterna admiração. Pena que percebi um pouco tarde.

Para que novo arrependimento não surja em meu âmago, levanto-me para reverenciar Palmira Guanais de Aguiar Fausto, carinhosamente chamada de Palma pelos mais próximos. Senhora das letras, Palma é o ponto de equilíbrio de Caetité, cidade baiana a meio-dia de distância de Salvador.

Não faço isso porque Palmira tem cabelos brancos lindos e invejáveis, mas porque Palma é daquele tipo de gente que não se faz mais. Perderam a receita sem decorá-la. Essa setuagenária cheia de travessuras literárias tomou minh’alma de assalto com suas crônicas. Cartas na Mesa. Eis o título que emoldura os causos de Palmira. A mais trepidante de suas filhas, Baía, a chama de Palmirô.  

Palmira, Palma ou Palmirô, seja lá como for, essa baiana descolada é a fulanização da genialidade. É algo que muitos tentaram ser sem conseguir. Do alto dos seus bem vividos 75 anos, entre Lagoa Funda e Caetité, Palmira mantém a exuberância do intelecto, do raciocínio. E o que ora afirmo pode ser conferido em inúmeros trechos de Cartas na Mesa, dos quais pincei alguns.

“Creio que a maioria das mulheres já experimentou, um dia, o sabor amargo de ser traída. Para amenizar eu diria que foi botada no banco de reserva ou de escanteio” (trecho de “De Escanteio...”)

“Toda vez que carregavam na maquiagem ou exageravam nas jóias, as mulheres de Caetité eram chamadas de D. Lindu. Dona Lindu era uma velha prostituta, dona do bordel da rua Nova, antiga rua do meretrício de Caetité. Apaixonava-se pelos rapazes e estes mereciam dela favores e ajudas, pois dona Arlinda (este era seu nome de batismo) amealhara, ao longo dos anos, muito dinheiro”. (trecho de “Dona Lindu”)

Lendo os causos de Palmira me veio à mente “Na Baixa do Sapateiro”, música que Ary Barroso compôs como se fosse uma homenagem à efervescente Palma. Até porque, Palmira é a cara da Bahia.

Algumas vezes fui à Baixa do Sapateiro, mas lá não encontrei Palmira, a morena mais frajola da Bahia. Não lhe pedi um beijo, não lhe dei um abraço. Nem lhe pedi a mão, porque lá Palma não estava. Mas, mesmo assim, ela está sempre a sorrir. Na verdade eu não conheço Palma, porque Deus ainda não me concedeu tamanho privilégio.

Você, Palmira, é aquela morena que deixa todo mundo louco de saudade. Meu Senhor do Bonfim, arranje outra morena igualzinha pra mim... Para todos, para o mundo.

Parece que Palmira era íntima do talento de Ary Barroso. Palmira é mais do que isso. É a Aquarela do Brasil. É a personificação da bandeira verde-loura, porque, como ninguém, só Palmira, a genial Palma, soube e ainda sabe ser ordem e progresso. É, sim, a felicidade da terra de Todos os Santos.

 

Música do dia (sexta - 25/04/08 - 13h16)

Sem mais delongas, depois de escrever emocionadamente sobre Palmira Guanais de Aguiar Fausto, a Palma, não encontrei outra saída a não ser escolher Na Baixa do Sapateiro como a música do dia. Uma justa homenagem à morena mais frajola da Bahia.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, na voz do filho pródigo de Dona Canô, Caetano Veloso.

 

Corredor da morte (sexta - 25/04/08 - 13h15)

Durante dois anos ministrei cursos na penitenciária feminina do Tatuapé, na zona leste da cidade de São Paulo. A unidade prisional foi extinta, e todas as internas foram distribuídas entre os presídios paulistas. Confesso que se por um lado realizei um sonho, juntamente com a advogada Maria Bernadete Spigariol – a quem chamo carinhosamente de “Berna” – por outro descobri que atrás das muralhas prisionais há muito mais do que o cerceamento da liberdade.

Há regras, direitos e deveres. Algo muito parecido como uma unidade social que tem vida própria. Legislação própria. E quem sai da linha paga caro, muito caro. Muitas vezes com a própria vida.

Desavenças em presídios são solucionadas internamente. E quase sempre a solução não traz as digitais do executor.

Esse introdutório que ora faço serve para avaliar o que acontecerá com a empresária goiana Silvia Calabresi, presa sob a acusação de tortura de uma garota de 12 anos.

A menina, que viveu com a empresária durante dois anos, foi submetida aos mais variados tipos de tortura. Foi obrigada a comer urina e fezes de cachorro, além de limpar com a língua a varanda da casa onde morava.

Por tudo o que vi nos dois anos em que convivi com as internas do presídio do Tatuapé, não é difícil concluir o que acontecerá com Silvia Calabresi. Seus dias na cadeia serão escassos, pois crimes contra mulheres e crianças são pagos com a vida.

Se a Justiça não redobrar a atenção durante o cumprimento da pena que será imposta à empresária, certamente ela será morta em menos de uma semana. A defesa tentará enviá-la para um manicômio judiciário, onde o passar dos dias é menos perigoso, sem contar que a possibilidade de reconquistar a liberdade é bem maior. Não creio que os advogados da megera Silvia Calabresi consigam tamanha proeza.

O que Silvia Calabresi fez foi uma barbárie. E como toda barbárie, é injustificável. Sou radicalmente contra a Lei de Talião, aquela do olho por olho, dente por dente. Essa coisa do exercício arbitrário da própria razão é primitiva e canibal.

 

Oportunismo barato (sexta - 25/04/08 - 13h13)

Em ritmo de campanha pela reeleição, o prefeito da cidade de São Paulo anunciou a criação de uma praça com jeito de parque na Avenida Paulista, centro financeiro do País.

O terreno que irá abrigar a tal praça está desocupado há anos, e pertencia ao finado Banco do Estado do Rio de Janeiro, o Banerj. Com a venda instituição financeira para o Banco Itaú, o terreno passou a integrar o patrimônio do governo fluminense.

Acontece que a região da Avenida Paulista à noite transforma-se em ponto de garotos de programa, que fazem trottoir ao longo da mais importante via da Paulicéia Desvairada.

O negócio é esperar para ver o resultado, pois o governo do Rio de Janeiro ainda estuda a possibilidade de venda da propriedade.

Resumindo, o palanque paulistano já foi armado.

 

Malucos de sobra (sexta - 25/04/08 - 13h12)

A família do padre Adelir de Carli, o maluco das bexigas, alugou um avião para auxiliar nas buscas do religioso, desaparecido desde o final de semana, quando decolou da cidade de Paranaguá puxado por mil balões com gás hélio.

A aeronave deve rastrear a costa do litoral catarinense a partir do ponto onde ocorreu o último contato por celular com o padre.

A família decidiu alugar o avião, que engrossará a força-tarefa oficial, porque acredita que o padre ainda esteja vivo. E para tal pede para a população que não deixe de rezar.

É verdade que a fé move montanhas, e que o Criador só quer o bem de seus súditos, mas exigir de Deus de tal maneira é covardia. Fosse assim, um sucida que pulasse de um edifício de cem andares chegaria ao solo são e salvo.

O que a família do padre precisa admitir é que o sujeito era desajustado.

 

Tudo errado (sexta - 25/04/08 - 13h11)

Tão logo o caso Isabella Nardoni chegou à delegacia, a Justiça decretou sigilo nas investigações. O que é absolutamente lógico e necessário e situações como a da menina de cinco anos, que morreu depois de ser jogada de um apartamento na zona norte de São Paulo. Na seqüência, a mesma Justiça foi obrigada a olhares de soslaio, pois pessoas envolvidas nas investigações deram muito mais entrevistas do que o necessário. Se é que em casos semelhantes entrevistas devem ser permitidas.

Com detalhes do trabalho de elucidação do caso sendo vazado para a imprensa de maneira criminosa, a população acabou por condenar previamente, e sem provas, o pai e a madrasta de Isabella Nardoni. O que não significa que tenho procuração para defender o casal, mas apenas prego o respeito à prerrogativa constitucional da presunção da inocência.

A Polícia Civil paulista marcou para este final de semana a reconstituição do crime que chacoalhou o Brasil. E para tal tenta junto às autoridades aeronáuticas o bloqueio do espaço aéreo num raio de três quilômetros a partir do local da tragédia. Tudo porque os veículos de comunicação planejam transmitir ao vivo e do ar a reconstituição do crime.

Ora, se desde o começo o assunto virou baderna nacional, que se libere a transmissão pelo ar e por terra. A essa altura, que diferença pode fazer não permitir que imagens da reconstituição sejam transmitidas?

 

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Música do dia

De Ary Barroso, Na Baixa do Sapateiro é uma justa homenagem à morena mais frajola da Bahia. Clique na imagem abaixo e ouça.

 

Novo espaço, novo desafio

Comentar o cotidiano sempre foi um sonho, uma meta possível e não tão distante. O grande problema, como sempre, era o tempo e sua ausência. Mesmo que tardia, chegou a hora de cuidar desse carnaval em que se transformou o nosso dia-a-dia.

Muitos me perguntam se estou abandonando o jornalismo político. Não, isto não está nos meus planos. Pelo menos por enquanto. Esta é uma tarefa exclusiva do Criador.

Uma nova página significa mais trabalho, mas opinar é algo que se confunde com o ar que respiro. Existir é escrever e vice-versa. É permitir a renovação da alma, do pensamento e da lógica. É acreditar num amanhã diferente.

Lançar este novo espaço só foi possível a partir da tranqüilidade que os parceiros, conquistados nos últimos tempos, têm me proporcionado.

"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."

Ucho Haddad

[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.

Mahatma Gandhi

 

“O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor.
O amor vive de dar e perdoar, e o egoísmo vive de tomar e esquecer”.

Sathya Sai Baba

 

Tudo sobre a política nacional, direto de Brasília, com a mais comentada equipe de jornalistas políticos da atualidade.

 

Clique na imagem acima e descubra Letras do Coração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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