Aquarela do Brasil (terça - 08/04/08 - 10h24)

A chegada sorrateira do outono em Sampa
Música do dia (terça - 08/04/08 - 10h24)
Nascida em Bowie, uma pequena cidade nos arredores de Washington, Eva Cassidy conquistou o reconhecimento dos amantes da música da região por sua capacidade de freqüentar diversos estilos musicais, como jazz, blues, gospel e pop music.

Tímida, mas dona de uma voz ímpar, Eva Cassidy fazia de cada interpretação algo inesquecível. Vítima de câncer, Eva morreu em 2 de novembro de 1996, mas isso não interrompeu sua trajetória musical.
Meses antes, em janeiro de 1996, Eva Cassidy gravou o primeiro e único disco solo, batizado de “Live at Blues Alley”. O sisudo tablóide inglês Daily Telegraph, em reportagem sobre a cantora norte-americana, afirmou ser Eva a protagonista da “mais memorável carreira póstuma na história da música pop”.
Em Cheek to Cheek, a música do dia, Eva Cassidy mostra com clareza sua capacidade vocal e uma invejável harmonia. Sem contar que a música de Fred Astaire ganha suntuosidade na voz dessa cantora que só ganhou fama quando chegou ao outro lado da vida. Até o cantor Sting se comoveu ao ouvir a voz de Eva em um programa de rádio.
Sem medo de errar afirmo que Eva Cassidy foi e continuará sendo "the voice made in heaven".
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Cheek to Cheek, na voz e no balanço marcantes da genial Eva Cassidy.
Coisas de vô (terça - 08/04/08 - 10h21)
Um dos mais competentes jornalistas e escritores brasileiros, o paraibano José Nêumanne Pinto, que há anos engrandece a capital dos paulistas com sua presença diuturna, acaba de retornar de Milão.
Lá, na mais elegante das cidades italianas, Zé Nêumanne entregou-se ao deleite de ser avô. Esteve durante dez dias ao lado da neta Stella Manucci.
Atendendo a pedidos, volto a postar a música "Stella di Mare”, com Lucio Dalla, que dias atrás disponibilizei aos leitores para homenagear a chegada entre nós da mulher que abalou as estruturas da Paraíba.
Zé, chega de netos, pois o mundo lhe quer escrevendo. O que não tira o direito do Pedro e da Stella.
Clique e ouça "Stella di mare", com Lucio Dalla.
A "patroa" do maestro (terça - 08/04/08 - 10h20)
Depois de Luciano Huck, que pilota o caldeirão global, o Aedes Aegipty fez mais uma vítima no circuito Rio-São Paulo. Com sintomas da doença que virou coqueluche na Cidade Maravilhosa está a polivalente Maria Fernanda – uma dileta amiga – que há anos divide lençóis com o maestro Billy, responsável pelo agito sonoro do sabático programa da Vênus Platinada.
Responsável pela vinheta de um programa de rádio que lançarei em breve no ucho.info, Billy Umbella foi convidado para uma turnê no Japão. Lá na terra do sol nascente, o competente Billy e suas vitrolas farão com que os japoneses chacoalhem o esqueleto. Sem contar a bufunfa que irá embolsar. Só quem conhece o casal pode afirmar que o sucesso é infinitamente mais que merecido.
Em tempo: quando eu ainda ministrava cursos na penitenciária feminina do Tatuapé, em São Paulo, Billy presenteou-me com a sonorização de uma festa de final de ano que realizamos para as internas do presídio que não mais existe. Resumo da ópera: a cadeia bombou!
Sumiu do mapa (terça - 08/04/08 - 10h17)
A epidemia de dengue que assola a cidade do Rio de Janeiro era, até dias atrás, o cardápio predileto dos principais veículos de comunicação, em especial das emissoras de TV. De uma hora para outra, o assunto caiu no esquecimento, como se alguém tivesse imposto um silêncio obsequioso ou, quem sabe, por um milagre o Aedes Aegipty tenha se mudado para outra região do país.
Acontece que emissora de televisão é uma concessão do Estado, e não há quem, numa ditadura disfarçada, ouse desafiar o patrão. Sem contar que a verba publicitária oficial é alvo da cobiça de muita gente.
Resumindo, a dengue não só continua chacoalhando o Rio de Janeiro, como já chegou com a devida força no estado de São Paulo.
Velho conhecido (terça - 08/04/08 - 10h15)
O Nordeste brasileiro continua sendo a cornucópia dourada de uma minoria, ao mesmo tempo em que funciona como palco para os oxímoros da natureza. Se o nordestino não é castigado pela seca, acaba arrastado pela força das chuvas.
Eis o cenário cíclico de uma região do Brasil que sofre há séculos com a mesma situação.
Cientes dos problemas, políticos e autoridades não esboçam nenhum esforço concreto na busca de uma solução, pois desse modo estariam inviabilizando as eleições e reeleições. Na verdade, o Nordeste é uma terra de coronéis, onde o povo nada mais é que uma inocente massa de manobra.
Há um ditado que bem traduz a degradante disparidade social que impere no Nordeste brasileiro. “Se não é preto é primo”. Ou seja, quem não for do povo certamente pertence a alguma oligarquia. Sempre lembrando que o “preto” em questão é o que os modernosos chamam de afro-descendentes e que eu entendo apenas como sendo negro.
Irresponsabilidade jornalística (terça - 08/04/08 - 10h13)
Quando Celso Daniel foi seqüestrado, a Rede Globo – que nas matérias jornalísticas não permite a divulgação de marcas sem o devido pagamento – exibiu de maneira ostensiva e criminosa o logotipo da churrascaria onde o ex-prefeito de Santo André jantou antes de cair nas mãos dos criminosos. As reportagens sempre iniciavam com a fachada da churrascaria.
Isso fez com que de maneira transversa o telespectador entendesse que aquele era um restaurante de seqüestradores e assassinos.
No caso da pequena Isabella Nardoni, encontrada morta no jardim do prédio onde mora o pai, a Vênus Platinada volta a repetir a fórmula. Para noticiar que a polícia paulista decidiu analisar os passos do pai e da madrasta da menina horas antes do crime, o que inclui a ida a um supermercado localizado em Guarulhos, a emissora faz questão de estampar na telinha o logotipo do estabelecimento.
Mesmo que o pai e a madrasta sejam inocentes, o supermercado ficará carimbado. No contraponto, a mesma Rede Globo esconde da opinião pública os casos em que atores e atrizes de seu casting permanente são acusados de envolvimento com drogas e outros que tais.
A ousadia que reina no Jardim Botânico é tamanha, que a emissora sequer se envergonha de veicular uma campanha publicitária que destaca sua qualidade e credibilidade.
A maldição de Abadía (terça - 08/04/08 - 10h11)
De hoje até o próximo domingo, os paulistanos terão a oportunidade de ao menos ver os refinados pertences de Juan Carlos Ramirez Abadía, o mega-traficante que aguarda decisão do presidente Lula da Silva sobre sua extradição.
Homem de hábitos refinados, Abadía terá todos os seus bens vendidos em um bazar e um leilão, por decisão da Justiça. De sapatos Gucci a camisetas Dolce & Gabbana, passando por óculos de sol de grifes famosas e por uma cama Auping, a melhor e mais cara do planeta. O que não significa que o traficante colombiano tinha o sono dos justos.
Como dois e dois são quatro, o tal bazar atrairá milhares de alucinados por produtos de marcas famosas, cuja renda será revertida para entidades beneficentes. Fico imaginando a carga negativa que cada um desses objetos colocados à venda carrega.
Condenado pela grande maioria das pessoas, o tráfico de drogas estará indiretamente circulando pela Paulicéia Desvairada a bordo de irresponsáveis que com boa dose de certeza da compra um troféu.
Enfim, o ser humano tem dessas coisas.
Anteriores