Preguiça merecida (segunda - 07/04/08 - 11h50)

Pesqueiro na Barra, em Salvador
Música do dia (segunda - 07/04/08 - 11h47)
Escrita em 1932 para o musical “Gay Divorce”, Night and Day, de autoria de Cole Porter, é uma das maiores e mais populares contribuições do compositor para o chamado “Great American Songbook”.
Cantada e tocada nos mais distantes pontos do planeta, Night and Day, que também emoldurou musicalmente muitas campanhas publicitárias, é a música do dia. Revirando meus arquivos musicais encontrei uma versão em francês de Night and Day, o que classifico como sendo uma charmosa preciosidade.
Filha de mãe egípcia – o que lhe garantiu uma beleza de Nefertiti e um sotaque francês arrasador – e de pai holandês (foi um importante executivo da Philips), Laura Fygi canta Night and Day de maneira simplesmente envolvente. Laura Fygi já “passou” por este espaço, o que me permite deixar de lado maiores apresentações, até porque o seu talento fala por si só.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Night and Day – ou “Tout le jour Toute la nuit” – na voz inconfundível de Laura Fygi.
Coisa de doido (segunda - 07/04/08 - 11h44)
O fanatismo do ser humano por tragédias beira a irresponsabilidade. Quando o caso da pequena Isabella, encontrada morta dias atrás no jardim do prédio onde mora o pai, em São Paulo, foi noticiado, todas as outras mazelas do cotidiano saíram de cena.
Sem dúvida alguma trata-se de uma barbárie que resulta da insanidade humana, mas é preciso voltar o olhar para o mundo e contabilizar quantos outros casos graves ocorrem diariamente, sem que o cidadão se preocupe tanto ou, então, quiçá se preocupe.
Ontem, domingo, decidi circular pela região dos Jardins, zona nobre da capital paulista que de uns tempos para cá passou a abrigar mendigos. Nada tenho contra os mendigos, mas o contraste entre a miséria e capitalismo choca de maneira irreversível. Em tese, a cena tornou-se comum em cidades da dimensão de São Paulo, mas um detalhe chamou minha atenção.
Aproveitando o recuo de uma loja da marca Fórum – objeto do desejo de nove entre cada dez descolados – instalada na elegante e cara Rua Oscar Freire, três crianças, provavelmente com a mesma idade de Isabella, protegiam-se da fina garoa que caía sobre a cidade, marca registrada da Paulicéia Desvairada.
Estavam sobre um pequeno pedaço de papelão – provavelmente para fugir da umidade – onde, protagonizando algum tipo de brincadeira, esperavam que uma esmola despencasse do bolso de algum ricaço qualquer.
Tanto quanto a pequena Isabella, que depois de morta tem proporcionado dinheiro e pontos de audiência aos irresponsáveis veículos de comunicação, aquelas crianças escondidas na pequena marquise da Fórum também estão fadadas à morte. Se não à morte física, mas à morte da dignidade humana.
Como se estivessem sobre as cláusulas pétreas da Constituição Federal, aquelas crianças são diariamente arremessadas pelo Estado no abismo da cidadania.
E ninguém ousa contestar aquela cena, que com pequenas variações se repete sem cerimônia na maior cidade do país. Quando muito, um ou outro deixa na mão desses mendigos, com a devida dose de asco, uma moeda que lhe incomoda na carteira ou que pesa na bolsa.
Pronto, é assim que se anestesia a consciência dos que só param diante da vida quando alguma tragédia dantesca ocorre.
O fato é que a sociedade humana, como um todo, morreu muito antes de Isabella.
Muita areia (segunda - 07/04/08 - 11h42)
Todas as vezes que desembarca no Brasil, Naomi Campbell arrasta um séqüito de jornalistas e cinegrafistas. Tudo porque a modelo inglesa acredita ser ela a última versão negra de Maria Madalena.

Quando esteve em São Paulo para uma cirurgia de emergência, a imprensa tupiniquim fez plantão diante do hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, mas foi destratada com todos os requintes pela assessoria de Campbell.
Há dias, a modelo foi detida pela polícia inglesa depois de dar uma cusparada em um policial londrino. E a mídia nacional pouco espaço cedeu ao fato. Não faz muito tempo, Naomi Campbell foi condenada pela Justiça nova-iorquina a trabalhar como empregada doméstica, depois de destratar uma de suas serviçais.
Ora, diante de tantas grosserias, resta saber o que leva a imprensa brasileira a correr atrás de alguém que é um dos piores exemplos de comportamento.
Há no Brasil mulheres muito mais bonitas e educadas que Naomi Campbell.
Os dois lados da imprensa (segunda - 07/04/08 - 11h40)
Como sempre, a imprensa mundial continua empenhada na busca de manchetes, mesmo que para isso seja necessário descartar a lógica. Quando ainda namorava o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a ex-modelo e cantora Carla Bruni só não foi rotulada de vagabunda.

Após o casamento, que aconteceu secretamente no Palácio do Eliseu, a italiana Carla Bruni foi responsável pela queda da popularidade do marido. Dias atrás, a mesma imprensa fez da primeira-dama da França uma espécie de referência quando o assunto é a elegância oficial. Tudo porque Bruni se comportou adequadamente durante visita oficial à Inglaterra.
Neste final de semana, a bela Carla Bruni foi novamente manchete. Ao lado da presidente da Argentina, Cristina de Kirchner, Bruni foi flagrada em uma manifestação popular em Paris, pela imediata libertação de Ingrid Bettancourt, a franco-colombiana que está nas mãos das Farc há mais de seis anos. É por essas e por outras que prefiro o jornalismo opinativo.
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