A natureza (sexta - 04/04/08 - 9h39)

Sua majestade, o Sabiá
Música do dia (sexta - 04/04/08 - 9h36)
Maria Izildinha Possi, ou Zizi Possi, que dispensa maiores apresentações e que agora curte o sucesso da filha, a também cantora Luiza Possi, já "passou" por aqui.

Doma de uma voz que se aproxima do som de um dos mais refinados instrumentos musicais, Zizi, essa paulistana nascida no bairro do Brás, abusa do talento ao cantar Disparada, a música do dia.
Com letra do paraibano Geraldo Vandré, Disparada foi uma das principais músicas dos tempos dos festivais de música popular brasileira.
Em Disparada, que dividiu com “A Banda” (Chico Buarque) o primeiro lugar no Festival da Record de 1965, Vandré faz uma contundente comparação entre a exploração das classes sociais mais pobres pela mais rica e a das boiadas pelos boiadeiros.
Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Disparada, na mágica e irrepreensível voz de Zizi Possi.
Cadê a vergonha? (sexta - 03/04/08 - 9h33)
A Rede Globo está mergulhada em campanha publicitária em que a qualidade da emissora é o cardápio. Atores, jornalistas e apresentadores surgem na telinha exaltando a qualidade da Vênus Platinada. Falar em qualidade, credibilidade e outros que tais é muito fácil.
Embalada pela necessidade doentia de manchetes que dominam os principais veículos de comunicação, a Rede Globo também participa do picadeiro em que se transformou a cobertura do caso da pequena Isabela.
Como sempre digo, e repito, tudo na vida é passível de perda, exceto a coerência. A emissora carioca disponibilizou um verdadeiro exército de jornalistas e técnicos para transmitir as últimas notícias do caso.
Ontem, diante daquela enxurrada de suposições sobre a morte de Isabela, fui obrigado a tirar o som da televisão enquanto trabalhava. Ouvir tantas baboseiras chegou a me dar um misto de náusea com ira. E assim ficou a TV até o final da novela Duas Caras.
Quando os créditos da novela global surgiram na tela, virei-me para a TV e vi a última cena do capítulo desta quinta-feira. Uma madrasta tentando matar por afogamento o filho do companheiro. Então pergunto: com que moral a Rede Globo destaca uma equipe de jornalismo para cobrir o caso de Isabela?
Em vez de investir fortunas em uma campanha publicitária para vender uma qualidade que inexiste, a Globo deveria torrar o dinheiro comprando óleo de peroba. Afinal, o que não falta na seara dos Marinho é cara-de-pau.
Tudo pela notícia (sexta - 04/04/08 - 931)
Ontem escrevi sobre a sanha oportunista da imprensa diante de tragédias humanas. Refiro-me ao caso da pequena Isabela, de 5 anos, encontrada morta no jardim do prédio onde mora o pai, na zona norte da cidade de São Paulo.
Primeiramente é preciso considerar que, de acordo com a Constituição Federal, todos são inocentes até prova em contrário. Condenar previamente o pai e a madrasta de Isabela é um ato desesperado de quem busca. E todos fazem isso. O que há até o momento é um conjunto de provas a ser esclarecido, e para que a investigação não seja prejudicada a Justiça entendeu ser melhor decretar a prisão preventiva de ambos.
Por mais que as provas sejam irrefutáveis, a presunção da inocência deve prevalecer. A não ser que o casal admita o cometimento do crime. O que a mídia faz é algo semelhante ao trágico crime em que se transformou o comentário do cotidiano. Para se ter uma idéia do perigo que é acusar antecipadamente, não custa lembrar o caso da Escola Base, em São Paulo, cujos donos foram acusados de pedofilia. Foi provada a inocência de ambos, mas a marca perante a sociedade ficou.
Outro caso é o do Bar Bodega, ocorrido também na capital paulista, palco de um frio assassinato. Semanas depois do crime, a polícia encontrou e prendeu os suspeitos, não sem antes exibi-los como troféus à sociedade. Erraram, pois foram presas e acusadas as pessoas erradas. Para dar uma satisfação ao contribuinte, que paga verdadeiras fortunas em impostos, a polícia paulista se valeu de métodos de tortura para que os acusados admitissem o crime.
Aqui não estou agindo em defesa do pai e de madrasta de Isabela, mas apenas sugerindo cautela. Quando Silvinho Pereira, o ex-secretário-geral do PT, acusado de envolvimento no mensalão, surgiu pela primeira vez para prestar serviços comunitários, ninguém apareceu à porta da subprefeitura para gritar ladrão.
Enfim...
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