PARA QUE A VIDA NÃO SEJA UM ETERNO CARNAVAL

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Música do dia (segunda - 31/03/08 - 2h57)

Gaúcho de Santana do Livramento, Antonio Gonçalves Sobral ganhou o título do Rei do Rádio. Refiro-me a Nelson Gonçalves, uma das belas e marcantes vozes da música brasileira.

De pais portugueses, Nelson Gonçalves mudou-se para São Paulo ainda garoto. No Brás, bairro que no começo era dominado por italianos e seus descendentes, Nelson Gonçalves apresentava-se em praças da região, sempre acompanhado do pai que, fazendo-se de cego, tocava violino.

Gago, o que lhe valeu o apelido de “Metralha”, Nelson Gonçalves experimentou inúmeras profissões. Foi garçom, jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor, tamanqueiro e lutador de boxe.

Mesmo admitindo o problema na fala, Nelson Gonçalves optou pela carreira de cantor. Reprovado em alguns programas de calouros, inclusive no de Ary Barroso, no Rio de Janeiro, o gaúcho Nelson perseguiu seu sonho. Depois de gravar seu primeiro disco, Nelson Gonçalves trabalhou como crooner do Cassino Copacabana e em seguida assinou contrato com a rádio Mayrink Veiga.

Foi nas décadas de 40 e 50 do século passado que Nelson Gonçalves conquistou fama, a reboque dos mestres Orlando Silva e Francisco Alves. Lamentavelmente, em 1958 o cantor entrega-se ao consumo de cocaína, mas foi em 1965 que o vício lhe rendeu trinta dias de prisão na Casa de Detenção, em São Paulo. Com o apoio da mulher, Nelson Gonçalves não apenas se livrou do vício, mas retomou a carreira artística com muito mais força e talento.

Segundo maior vendedor de discos da história no Brasil – foram 65 milhões de discos vendidos – Nelson Gonçalves dedicou parte da fase final de sua carreira aos duetos. Em Renúncia, a música do dia, Nelson Gonçalves protagoniza um espetáculo de vozes ao lado do também inesquecível e talentoso Tim Maia.

Clique no link localizado no topo da coluna à direita e ouça Renúncia nas inconfundíveis vozes de Nelson Gonçalves e Tim Maia.

 

Minutos de fama (segunda - 31/03/08 - 2h41)

Loira – de prateleira de farmácia, claro – e no horário nobre da TV em pleno domingo. No momento em que as famílias brasileiras estavam reunidas à volta do televisor, nas últimas horas do final de semana, o enfadonho Fantástico, da Rede Globo, levou ao ar entrevista com Andréia Schwartz, a garota de programa brasileira – ela não admite ser chamada como tal ou de prostituta, cafetina e outros que tais – que participou como coadjuvante no escândalo que ceifou o mandato de Eliot Spitzer, ex-governador de Nova York.

Carente de bons exemplos, o Brasil se curva mais uma vez diante do repugnante. Atrás de mais alguns minutos extras de fama, Andréia agora lança mão de uma postura quase que celibatária.

Mas no escândalo em que se transformou o Brasil, esse tipo de comportamento não chega a assustar. O próprio governo do presidente Lula da Silva se preocupa com as mulheres que sonham com a prostituição. Coube a mim, em mais um furo de reportagem, divulgar a página do governo federal que ensina como ingressar na chamada vida fácil. Com dicas sobre abordagem de clientes e vestuário.

No contraponto, não é de se estranhar que uma reportagem de tal calibre tenha desembarcado no Fantástico. Afinal, o BBB 8, uma espécie de bandalheira vigiada, terminou há dias.

Sorte de quem não tem filhos e pdoerá encerrar a participação nesse triste espetáculo em que se transformou a vida no momento do último suspiro. Porque deixar descendentes nessa barafunda chega a dar medo.

 

Final de tarde (segunda - 31/03/08 - 2h40)

O bucolismo do domingo

 

A madame na coleira (segunda - 31/03/08 - 2h37)

No começo a onda era cachorro de madame. Mas a triste realidade tomou o caminho inverso, e agora a madame que é do cachorro. Pode parecer loucura, mas é isso mesmo que vem acontecendo. O cachorro virou celebridade. Depois de pet shops, spa e psicólogo pra cachorrada e outros badulaques tantos, agora os animais de estimação são alvo de disputas judiciais quando há a separação de um casal. É o que trouxe o Jornal do Brasil na edição deste domingo.

O pior disso tudo é que a Justiça, abarrotada de casos mais importantes e que mofam na fila do julgamento, acolhe disputas esdrúxulas que vilipendiam a dignidade do ser humano. Ingressar na Justiça para ter garantido o direito de periodicamente ver e estar com um animal de estimação mostra o nível de degradação do ser humano. Não se trata de desprezo aos animais, mas há coisas mais sérias a serem consideradas com o final de uma relação.

Por outro lado, abandonando proselitismo grã-fino de alguns, difícil é encontrar alguém que abra mão do cachorro e adote uma dessas crianças abandonadas que têm o futuro entulhado em abrigos pelo país afora. É fato que todos buscam uma sociedade melhor, mas essa melhoria, ao que parece, terá de acontecer por milagre, obra do acaso.

No final dos anos 90, folheava o Miami Herald, lá mesmo na outrora mais brasileira das cidades americanas, Miami, quando deparei-me com uma notícia no mínimo estranha. Um milionário qualquer, desses que abusam da excentricidade, deixou sua fortuna para o cachorro. O bicho, paparicado por muitos, inclusive pelo gerente do banco, andava pela cidade de Miami a bordo de um reluzente carro e escoltado por nada diplomáticos seguranças. À época, um conselho foi criado para decifrar as vontades do cachorro e tomar decisões em relação ao dinheiro, que, diga-se de passagem, não era pouco.

Em 1982, quando ainda morava na bela e elegante Milão, fui ao ateliê do estilista italiano Giorgio Corregiari para uma reunião que decidiria sobre matéria jornalística de moda. Afinal, a minha estréia no jornalismo foi na seara da moda. Encravado num prédio de arquitetura tão imponente quanto sisuda, o ateliê de Corregiari tinha uma peça a mais e que destoava de suas criações. Um pastor alemão que o acompanhava diuturnamente.

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Música do dia

Em Renúncia, Nelson Gonçalves protagoniza um espetáculo de vozes ao lado do também inesquecível e talentoso Tim Maia. Clique na imagem abaixo e ouça.

 

Novo espaço, novo desafio

Comentar o cotidiano sempre foi um sonho, uma meta possível e não tão distante. O grande problema, como sempre, era o tempo e sua ausência. Mesmo que tardia, chegou a hora de cuidar desse carnaval em que se transformou o nosso dia-a-dia.

Muitos me perguntam se estou abandonando o jornalismo político. Não, isto não está nos meus planos. Pelo menos por enquanto. Esta é uma tarefa exclusiva do Criador.

Uma nova página significa mais trabalho, mas opinar é algo que se confunde com o ar que respiro. Existir é escrever e vice-versa. É permitir a renovação da alma, do pensamento e da lógica. É acreditar num amanhã diferente.

Lançar este novo espaço só foi possível a partir da tranqüilidade que os parceiros, conquistados nos últimos tempos, têm me proporcionado.

"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."

Ucho Haddad

[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.

Mahatma Gandhi

 

“O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor.
O amor vive de dar e perdoar, e o egoísmo vive de tomar e esquecer”.

Sathya Sai Baba

 

Tudo sobre a política nacional, direto de Brasília, com a mais comentada equipe de jornalistas políticos da atualidade.

 

Clique na imagem acima e descubra Letras do Coração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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