Mico musical (sexta - 07/03/08 - 18h25)
Novecentos reais por um ingresso. Eis a fortuna que alguns desavisados desembolsaram para assistir ao show de Bob Dylan, em São Paulo.

Senhor de soberba detestável, Dylan obrigou os presentes a caretas e torcidas de narizes. Muitos sequer reconheceram os velhos sucessos, como reprovaram as novas canções de alguém que hoje abusa da voz anasalada e pouco melódica.
Leitores escreveram relatando a decepção com o que viram e ouviram. No fundo é melhor encarar o senador Suplicy cantando Blowin´ in the wind.
Dos velhos tempos de Dylan, apenas os incontestáveis olhos azuis. E nada mais!
Tudo para ser notícia (sexta - 07/03/08 - 17h31)
A prefeitura de São Paulo está empenhada nas ações que garantam visibilidade político-eleitoral para Gilberto Kassab, que sonha em permanecer mais quatro anos como imperador da Paulicéia Desvairada.

Nesta semana, fiscais da prefeitura paulistana interditaram duas obras na região dos Jardins, a mais cara e badalada da cidade. Com isso, as lojas Diesel e Cleusa Presentes terão de adiar as respectivas inaugurações.
Isso tudo ocorreu porque ao prefeito interessa estar na mídia o máximo possível, de preferência mostrando serviço (sic) ao eleitor.
No outro lado da cidade, em uma das áreas mais carentes de São Paulo, 400 manifestantes pararam o trânsito local durante protesto contra a péssima qualidade do transporte público.
É desse jeito, como conversa de boteco, que Gilberto Kassab administra uma das maiores cidades do planeta.
Deu a louca (sexta - 07/03/08 - 17h18)
No mínimo escandaloso o caso do garoto de 8 anos - e não 6 anos como noticiei ontem - aprovado no vestibular da Universidade Paulista, em Goiânia, para o curso de Direito.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, determinou a imediata investigação do caso, mas já se sabe que, como sempre, o assunto terminará em uma enorme e mal cheirosa pizza.
Dono da Unip e da rede de colégios Objetivo, João Carlos Di Genio, um verdadeiro atacadista do ensino, saberá como contornar o problema.
De mais a mais, Di Genio é muito articulado nas esferas do pdoer e conta com um seleto time de lobistas que, em Brasília, agem em seu nome.
Uma vergonha! (sexta - 07/03/08 - 17h11)
Brasileiros expulsos da Espanha às centenas, e o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, classifica a situação como "inacreditável".
Mais de 180 milhões de contribuintes madrugam diariamente para honrar com os nababescos salários dos ministros, para que Celso Amorim faça o hercúleo esforço de dizer que é "inacreditável".
Inacreditável é o Brasil passar por uma situação vexatória dessa natureza, sem que o nosso embaixador em Madrid, José Viegas, tenha sequer levantado o derriére da poltrona para pôr fim a tamanha discriminação.
Analisando friamente, o brasileiro merece enfrentar esse tipo de situação, pois eleição não é mais um dia de feriado no calendário. É, sim, um ato de civismo e cidadania, sério e responsável. Do contrário, dá no que aí está.
Um dia isso tudo há de mudar!
Música do dia (sexta - 07/03/08 - 10h52)
Era para se chamar Natalina, mas a mãe, com pressa, mudou os planos paternos e batizou-a com o nome de Simone. Baiana de Salvador, Simone Bittencourt de Oliveira, ou apenas Simone – só isto basta – nasceu no dia de Natal, 25 de dezembro.

Pode parecer uma enorme coincidência, mas a relação silenciosa com o Cristianismo é muito presente na vida da cantora Simone, um dos grandes talentos da MPB. Tanto é assim, que no palco tem o hábito de abrir os braços em forma de cruz.
Mas as coincidências na vida de Simone não se resumem a apenas isso. Simone é a sétima numa família com nove filhos. Nasceu aos sete minutos do dia 25 de dezembro de 1949. E 25, 2+5 é igual a 7. Sob a égide da numerologia pitagórica, a soma das letras do nome completo de Simone resulta em 7.
Mas não estou aqui para destacar as coincidências e superstições que marcam a vida dessa importante cantora brasileira. Estou, sim, para lembrar que foi na voz de Simone que alcançou o sucesso a música Uma Nova Mulher, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende.
Com letra simples e marcante, Uma Nova Mulher, cantada por Simone, é a música do dia e, muito além disso, é a homenagem que deixo a todas as mulheres nesta semana minguada que o mundo lhes dedica.
Só para elas (sexta - 07/03/08 - 10h32)
Triste do país que lembra de suas mulheres apenas uma vez por ano, ou, no máximo, duas. Assim é tratada a mulher no Brasil, que por mais que tenha conquistado independência e emancipação, pelo menos em tese, continua exercendo o papel de coadjuvante.

Entender a alma feminina não é para qualquer reles mortal. É preciso uma capacidade além do limite para perceber a grandeza humana que existe dentro de cada uma delas. Khalil Gilbran, poeta libanês, escreveu certa vez que “ser mãe é padecer no paraíso”. É fato que a missão de mãe é árdua, mas no paraíso só não se padece porque todas as mulheres, mães ou não, têm o instinto indescritível da maternidade.
Muitas vezes me pego buscando parcerias profissionais, e quase sempre foco meu objetivo no universo feminino. Mulheres sempre dizem que não confiam em mulheres. Conhecedor que sou do universo feminino, prefiro a competência hercúlea de uma mulher ao talento arrogante de um homem.
Ao longo dos anos, descobri que a mulher é mais competente que o homem. Apenas porque seu combustível de vida é emoção a 100%. E tudo o que é feito com emoção tem um resultado melhor e duradouro, mesmo que mais demorado seja.
A mulher, diante da necessidade da razão, permite que ela [razão] invada muito rapidamente o seu mundo de emoção, aja e saia.
Sem muitas delongas, só existimos por conta delas. E sendo assim, um só dia para homenageá-las é muito pouco. E os outros 364 dias? É assim que penso. E ponto final!
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