PARA QUE A VIDA NÃO SEJA UM ETERNO CARNAVAL

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Parafuso solto (sexta - 15/02/08 - 14h37)

Como se sabe, tudo que de errado acontece no mundo é culpa da imprensa. Pelo menos é assim que pensa o cardeal dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero - uma das principais divisões do Vaticano - e que até pouco tempo atrás era o arcebispo da cidade de São Paulo.

Hummes, que participa do 12º Encontro Nacional de Presbíteros, no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, disse que a imprensa exagera ao dar destaque aos casos de pedofilia envolvendo padres.

De acordo com o religioso, os casos de pedofilia atingem apenas 1% dos 406 mil padres existentes no planeta (no Brasil são 18 mil). Ou seja, 4 mil padres transviados foram flagrados em atitudes sexuais pouco recomendáveis. Sem contar os que escaparam ilesos e continuam abusando de inocentes.

Quer dizer, "Seu Cláudio", que pecado é um faminto roubar uma coxinha no boteco da esquina? Violentar crianças na sacristia é exagero da imprensa?

O meu saudoso pai sempre dizia que o melhor a se fazer é desconfiar de homem de saia. Ele estava certo.

Em tempo: se vivo ainda estivesse e conferisse a genialidade dos asseclas, Jesus Cristo já teria sumido do mapa.

 

Camisa de força (sexta - 15/02/08 - 13h45)

Dizem os mais experientes que a trajetória dos exemplos é descendente. Ou seja, de cima para baixo. E se isso for realmente verdade, não há como culpar totalmente o jovem que assasinou seis colegas de universidade antes de se suicidar, no estado americano de Illinois. Até porque, se o exemplo do tal jovem for o presidente dos EUA, o mundo está perdido.

Em entrevista à BBC, o presidente George W. Bush defendeu, nesta sexta-feira, a técnica do afogamento - uma prática conhecida de tortura - como forma de arrancar informações de terroristas.

A desculpa apresentada por Bush, o baby, é que interrogatórios com direito a tortura ajudaram a salvar a vida de milhares de pessoas.

Muito utilizada aqui no Brasil durante a ditadura militar, essa modalidade de tortura consiste em pendurar de ponta-cabeça o acusado, fazendo com que a cabeça do indivíduo seja mergulhada em um balde d'água. O que provoca uma horrosa sensação de sufocamento. Só quem já passou por situação semelhante consegue avaliar a extensão da barbárie.

Adepto confesso, até os 40 anos, daquela água que passarinho não bebe de jeito algum, George W. Bush é o melhor exemplo para aqueles que ainda acreditam nos efeitos positivos dos chamados goles extras.

 

Dúvida cruel? (sexta - 15/02/08 - 13h34)

A polícia norte-americana ainda não sabe os motivos que levaram um jovem, antes de cometer suicídio, a matar seis estudantes na Universidade de Northern Illinois.

O jovem estudante, que disparou contra colegas, especializou-se no sistema prisional norte-americano. Isso mostra o mais claro caminho para se chegar aos verdadeiros motivos do crime.

Na terra do Tio Sam, o lema único de vida é vencer ou vencer. E aquele que por lá não vence acaba, por isolamento da própria sociedade, a viver em um mundo psicótico.

Entender o comportamento da sociedade ianque não é tarefa das mais fáceis, mas difícil não é compreender os motivos de mais um crime bárbaro.

Sem contar que armas de fogo podem ser compradas com muita facilidade na terra do Mickey. Lá, pistolas automáticas e revólveres são encontrados em grandes lojas, ao lado de roupas esportivas.

Basta apresentar a carteira de identidade.

 

Lugar errado (sexta - 15/02/08 - 13h20)

Neste final de semana (16 e 17 de fevereiro), familiares das vítimas do acidente com o Airbus A320 da TAM reúnem-se pela sexta vez desde a tragédia ocorrida em julho de 2007.

O encontro, que acontece em um hotel da capital paulista, servirá para que o grupo cobre das autoridades maior celeridade nas investigações.

Ora, se os familiares correm atrás da verdade dos fatos, o que é um misto de direito e obrigação, a reunião deveria ocorrer em frente ao Palácio do Planalto, e não na cidade de São Paulo.

Desde o primeiro minuto após o trágico acidente, o governo do presidente Luiz Inácio vem tentando fugir da responsabilidade.

A Polícia Federal, que inesperadamente entrou no caso, concluiu que no dia do acidente (17 de julho de 2007) o aeroporto de Congonhas deveria estar fechado para pousos e decolagens. Tudo porque a pista do aeródromo paulistano não apresentava condições técnicas à altura das exigências das aeronaves que lá transitam.

Resta saber quanto tempo o presidente-operário ainda precisa para dar uma resposta convincente e verdadeira à sociedade. Nunca antes neste país...

 

Eu voltei (sexta - 15/02/08 - 13h09)

Depois de um interregno por conta dos gastos oficiais com os chamados cartões de crédito corporativos, assunto que tomou meu tempo de sobremaneira, retomo o compromisso aqui assumido de comentar o cotidiano. E no rastro das explicações deixo minhas sinceras e necessárias desculpas.

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Novo espaço, novo desafio

Comentar o cotidiano sempre foi um sonho, uma meta possível e não tão distante. O grande problema, como sempre, era o tempo e sua ausência. Mesmo que tardia, chegou a hora de cuidar desse carnaval em que se transformou o nosso dia-a-dia.

Muitos me perguntam se estou abandonando o jornalismo político. Não, isto não está nos meus planos. Pelo menos por enquanto. Esta é uma tarefa exclusiva do Criador.

Uma nova página significa mais trabalho, mas opinar é algo que se confunde com o ar que respiro. Existir é escrever e vice-versa. É permitir a renovação da alma, do pensamento e da lógica. É acreditar num amanhã diferente.

Lançar este novo espaço só foi possível a partir da tranqüilidade que os parceiros, conquistados nos últimos tempos, têm me proporcionado.

"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."

Ucho Haddad

[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]

“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.

Mahatma Gandhi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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